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Jornal Estado de S. Paulo celebra os assassinatos cometidos por Trump e Netanyahu no Irã

Artigo “Ninguém vai chorar pelo Irã” normaliza a violência, transforma guerra em gesto moral e empurra o mundo para a escalada no Oriente Médio

Donald Trump e Benjamin Netanyahu (Foto: Getty Images)

247 – Ao tratar como virtuosa uma ofensiva militar contra o Irã, o jornal Estado de S. Paulo publica um editorial que, na prática, naturaliza a violência e endossa a lógica de que mortes e destruição podem ser vendidas como “libertação”. A retórica é apresentada como se fosse óbvia: quem é o alvo, não merece luto; quem ataca, estaria do lado do “mundo civilizado”.

O ponto de partida é o artigo de opinião “Ninguém vai chorar pelo Irã”, do jornal Estado de S. Paulo, que descreve a operação militar de EUA e Israel como uma ação para “neutralizar ameaças iminentes”, enfraquecer a infraestrutura militar do regime e impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear. No texto, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, aparece conclamando os iranianos a tomar o poder sob bombardeios: “A hora de sua liberdade está ao seu alcance” e “Quando terminarmos, assumam o seu governo. Só depende de vocês tomá-lo.”

A guerra como espetáculo de “clareza moral”

Ao afirmar que “ninguém, no mundo civilizado, vai chorar pelo Irã”, o artigo não apenas descreve um regime autoritário. Ele constrói uma autorização moral para a violência, como se o histórico interno do país fosse um salvo-conduto para ataques externos e para as mortes que eles inevitavelmente produzem.

Esse tipo de formulação funciona como propaganda: converte uma guerra em cruzada civilizatória e tenta blindar os agressores de qualquer escrutínio ético. Quando a morte é tratada como consequência secundária, e não como o centro do que significa “uma operação militar”, abre-se espaço para que assassinatos sejam relativizados, celebrados ou simplesmente apagados do debate público.

“Liberdade” sob mísseis: a retórica que encobre o essencial

O artigo reproduz e valida a linguagem do poder militar. O discurso de Trump aos iranianos é exposto como convocação heroica, apesar do evidente cinismo político de exigir que uma população “assuma seu governo” após uma campanha de bombardeios. As frases são literais e mostram o tom: “A hora de sua liberdade está ao seu alcance”; “Quando terminarmos, assumam o seu governo. Só depende de vocês tomá-lo.”

O problema não é apenas a frase. É o enquadramento: o texto trata a guerra como instrumento legítimo de engenharia política, como se a mudança de regime fosse um botão que se aperta do lado de fora. Ao mesmo tempo, tenta antecipar a absolvição: se o alvo é um “Estado pária”, então tudo se tornaria aceitável.

O próprio texto admite as incertezas, mas segue endossando a escalada

Há uma contradição central. O artigo reconhece que “não há certeza de que a guerra produzirá o resultado desejado”, e admite que ainda são limitadas as informações sobre o que de fato foi atingido: “os danos reais às instalações nucleares e à cadeia de comando ainda não estão de todo claros”. Também registra que o Irã respondeu com salvas de mísseis contra Israel e bases americanas em aliados árabes como Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, elevando o risco de conflagração regional.

Mesmo assim, o tom geral do texto opera como um aval político. A mensagem final é: pode dar errado, mas é “moralmente” justificável. Esse raciocínio é precisamente o que normaliza a violência, porque transforma o custo humano e a instabilidade regional em detalhe de roteiro.

Três cenários e um denominador comum: mais violência

O artigo do jornal Estado de S. Paulo descreve três cenários: um conflito “calibrado”, uma “escalada regional controlada” e uma tentativa prolongada de enfraquecer o regime até precipitar “transformação”. Em todos, a guerra aparece como ferramenta “racional”, e as variáveis são tratadas como peças de tabuleiro.

A crítica necessária aqui é simples: quando se fala em “degradar capacidades”, “restaurar dissuasão” e “definir critérios de sucesso”, frequentemente se está suavizando aquilo que a linguagem pretende esconder — ataques, mortes, destruição e instabilidade. A tecnocracia da guerra serve para desumanizar o conflito e para proteger politicamente quem o inicia.

Energia e Estreito de Ormuz: o mundo como refém do aventureirismo

O texto também aponta o temor de mercado diante dos riscos de bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, com apreensão nos mercados de energia. É outro sinal de que a operação, apresentada como “necessária”, carrega potencial de ampliar a instabilidade global. Ao tratar esse cenário como variável estratégica e não como consequência previsível de uma escalada militar, o artigo reforça a ideia de que o custo sistêmico seria um preço aceitável.

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