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Assassinato de Khamenei traz o risco de uma guerra global, diz Jeffrey Sachs

Economista afirma que os Estados Unidos estão inebriados pela própria arrogância

Ali Khamenei durante eleição parlamentar no Irã 10/05/2024 Majid Asgaripour/WANA via REUTERS (Foto: Majid Asgaripour)

247 – O economista Jeffrey Sachs afirmou que o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei pelos governos de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e de Benjamin Netanyahu pode desencadear uma guerra de grandes proporções, com potencial de se transformar em um conflito global. A declaração foi feita em entrevista concedida à jornalista Liu Xin, da CGTN, logo após a morte de Khamenei.

Segundo Sachs, trata-se de um episódio de extrema gravidade, que ultrapassa os limites de uma ação militar pontual. “Este é um desastre, evidentemente. O assassinato de um líder de outro país não é algo trivial. Esta é uma guerra que provavelmente se tornará uma guerra generalizada no Oriente Médio, e pode se espalhar para uma guerra global”, afirmou.

O economista avaliou que a decisão de eliminar o principal líder político e religioso do Irã representa uma escalada brutal e perigosa. “Os Estados Unidos e Israel acenderam o estopim de um desastre completo, e fizeram isso de uma maneira absolutamente brutal”, declarou, acrescentando que a ação demonstra uma concepção primitiva de política externa baseada em assassinatos para tentar remodelar governos estrangeiros.

Escalada no Oriente Médio

Sachs alertou que a tendência, diante do cenário criado, é o fortalecimento do aparato militar iraniano, especialmente da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). “O que deve acontecer, muito provavelmente, é que a Guarda Revolucionária Islâmica estará efetivamente no controle durante esta guerra, e eu esperaria que a guerra continuasse”, disse.

Para ele, a expectativa de que a eliminação de lideranças possa produzir um regime mais “dócil” é ilusória. “A CIA e o Mossad pensam que, ao matar o líder e alguns outros dirigentes, conseguirão criar um regime submisso. Essa é a ideia deles de política externa”, afirmou, demonstrando ceticismo quanto à eficácia dessa estratégia. “Sou muito cético quanto a isso. Quase sempre falha.”

“Estados Unidos estão inebriados pela própria arrogância”

Na entrevista à CGTN, Sachs foi ainda mais incisivo ao analisar o momento geopolítico. “Os Estados Unidos estão inebriados pela própria arrogância neste momento”, declarou. Segundo ele, Washington age como se tivesse o controle absoluto da ordem internacional, o que amplia os riscos de confrontos sucessivos e imprevisíveis.

O economista também criticou o que considera uma postura intervencionista recorrente. “Eles acham que comandam o mundo. Isso é muito perigoso, muito ilusório e está levando a mais e mais violência ao redor do mundo”, afirmou.

Risco de conflito ampliado

Ao avaliar o impacto regional, Sachs destacou que o Oriente Médio já vive um ambiente de alta tensão e que o assassinato de Khamenei pode desencadear uma cadeia de retaliações. A combinação entre rivalidades históricas, alianças militares e interesses estratégicos de grandes potências eleva o risco de que o conflito ultrapasse as fronteiras da região.

Para Sachs, a substituição da diplomacia por ações de força tende a produzir efeitos contrários aos desejados, consolidando posições mais duras e aprofundando divisões. Em vez de estabilidade, a eliminação de lideranças pode gerar radicalização e prolongamento da guerra.

A entrevista concedida a Liu Xin insere-se em um momento de forte apreensão internacional, em que governos e organismos multilaterais acompanham com preocupação os desdobramentos da crise. A possibilidade de envolvimento direto ou indireto de outras potências transforma o episódio em um ponto de inflexão na geopolítica contemporânea.

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