“Raimundo Pereira, presente”, diz Alysson Mascaro em homenagem ao jornalista
Jurista destaca legado intelectual, convivência pessoal e continuidade da luta pelo jornalismo crítico no Brasil
247 – A morte do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, repercutiu entre intelectuais e lideranças do campo progressista. Em homenagem, o jurista e filósofo Alysson Leandro Mascaro destacou não apenas a importância histórica do fundador do jornal Movimento, mas também sua convivência pessoal com o jornalista e sua influência duradoura no pensamento crítico brasileiro.
Mascaro relembrou o período em que estreitou relações com Raimundo, especialmente a partir dos anos 2010, em encontros que reuniam figuras relevantes do pensamento progressista. “Foi pelo início dos anos 2010 que pude estreitar os laços de convivência e amizade com Raimundo Pereira”, afirmou.
Espaços de reflexão e articulação política
Segundo Mascaro, esses encontros contavam também com a presença do professor Herval Pina Ribeiro e outros jornalistas e intelectuais, em conversas dedicadas à análise da conjuntura política brasileira e às estratégias da esquerda.
“Entabulamos importantes reflexões coletivas acerca do país”, destacou, lembrando que essas reuniões ajudavam a delinear caminhos e esperanças para a transformação social.
Retrato do Brasil e a continuidade da luta
O jurista também destacou o papel do projeto Retrato do Brasil, retomado por Raimundo em formato de revista, como expressão da continuidade de sua atuação no jornalismo crítico. “Buscava novamente levar sua inspiração de luta ao jornalismo crítico”, disse Mascaro, lembrando que participou da publicação com artigos voltados à crítica de movimentos políticos reacionários.
Ele ressaltou ainda que essas reflexões ocorreram antes mesmo da Operação Lava Jato, antecipando debates que se tornariam centrais nos anos seguintes.
Movimento e a herança da resistência
Embora não tenha vivido diretamente o período da fundação do jornal Movimento, Mascaro afirmou que sempre reconheceu a grandeza histórica do projeto liderado por Raimundo: “Orgulhei-me sobremaneira da história do projeto progressista e independente de jornalistas e intelectuais por ele liderado”.
Para ele, a experiência do Movimento simboliza um momento em que o jornalismo exigia coragem diante da repressão: “Tempos de ditadura, tempos que demandavam coragem. Ele a teve de sobra”.
Da imprensa alternativa ao Brasil 247
Mascaro também destacou a capacidade de Raimundo de atravessar diferentes fases do jornalismo brasileiro, chegando às mídias digitais e contribuindo com novos projetos. Nesse contexto, mencionou sua proximidade com o Brasil 247 e com Leonardo Attuch.
Para o jurista, há uma linha de continuidade entre a imprensa alternativa da ditadura e o jornalismo crítico contemporâneo: “De Movimento a Brasil 247, a batalha das ideias segue sendo uma urgência”.
Presença que permanece
Encerrando sua homenagem, Alysson Mascaro resumiu o sentimento compartilhado por muitos que conviveram ou foram influenciados por Raimundo Rodrigues Pereira: “O melhor do passado dá esperança para que façamos hoje o melhor ao futuro. Raimundo Pereira, presente.”
A declaração reforça o legado de um jornalista que não apenas marcou sua época, mas segue inspirando novas gerações na defesa da democracia, da soberania e do pensamento crítico no Brasil.


