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Tragédia de Itumbiara: defensoria de Goiás processa mídia sensacionalista e pede R$ 1 milhão por danos morais coletivos

Órgão aponta linchamento virtual e revitimização de mãe que teve filhos assassinados; ação atinge Globo, CNN e Metrópoles

Tragédia de Itumbiara: defensoria de Goiás processa mídia sensacionalista e pede R$ 1 milhão por danos morais coletivos (Foto: Reprodução)

247 – A Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com ação judicial contra 10 veículos de comunicação por conta de publicações relacionadas ao caso ocorrido em Itumbiara (GO), em que Sara Araújo teve os filhos assassinados pelo ex-marido. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.

Por meio do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher, a Defensoria pede a retirada de postagens — incluindo publicações e comentários —, além de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão e retratação. O processo tramita na 31ª Vara Cível de Goiânia e aguarda julgamento.

Alegação de “linchamento virtual”

Segundo a Defensoria, parte da cobertura e dos comentários publicados pelos veículos teria deslocado o foco da brutalidade do agressor para a conduta moral da vítima, o que, na avaliação do órgão, expôs Sara Araújo a um “linchamento virtual” em um momento de extrema vulnerabilidade.

O núcleo especializado sustenta que os veículos permaneceram “inertes diante do discurso de ódio inflamado nos seus próprios sites ou perfis das redes sociais”. A ação também aponta que “alguns” dos veículos “chegaram a publicar ataques diretos à mulher, expondo vídeos e imagens de sua intimidade, na intenção de justificar o cometimento do crime”.

Para a Defensoria, tais práticas contribuíram para aprofundar o sofrimento da mãe, ao reforçar julgamentos morais e narrativas que desviariam a atenção da violência praticada pelo agressor.

Pedido de retirada de conteúdo e responsabilização

De acordo com nota oficial do órgão, o objetivo central da ação é frear a revitimização. “Foi requerida a retirada das publicações e responsabilização daqueles que mantiveram estes conteúdos em suas páginas sem que houvesse a devida moderação”, informou a Defensoria Pública de Goiás.

O órgão também destacou que não atua como representante individual da vítima, mas “como protetor dos interesses dos necessitados em geral”. Segundo a instituição, eventual pagamento por danos morais coletivos será destinado a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais.

A ação judicial é direcionada aos seguintes veículos: CNN Brasil, Unigraf Unidas Gráficas e Editora Ltda, Globo Comunicação e Participações S/A, Mais Goiás Comunicação Marketing e Internet Ltda, Metrópoles Mídia e Comunicação S/A, Rádio e Televisão Record S/A, Televisão Goya Ltda, Televisão Anhanguera S/A, TV Serra Dourada Ltda e Opção Notícias Ltda.

Entidades evitam comentar

Procurada pela Agência Brasil, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) informou que preferiu não se manifestar sobre o caso. A reportagem também registra que a Agência Brasil permanece aberta às manifestações dos veículos acionados pela Defensoria Pública de Goiás.

O caso reacende o debate sobre os limites da cobertura jornalística em situações de violência de gênero e sobre a responsabilidade das empresas de comunicação na moderação de comentários em ambientes digitais, especialmente quando há risco de exposição indevida, discurso de ódio e revitimização de mulheres em situação de extrema vulnerabilidade.

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