Waack prevê impacto eleitoral da degradação da imagem do STF
Colunista do jornal Estado de S. Paulo afirma que condução do caso Banco Master acelerou o desgaste do Supremo e fortalece narrativas oposicionistas
247 – A condução do escândalo do Banco Master dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) já produz, segundo o jornalista William Waack, um efeito político que vai além do caso financeiro em si: o episódio estaria acelerando a deterioração da imagem da Corte e tornando esse desgaste um fator relevante para a disputa eleitoral do próximo período. A avaliação está em coluna publicada no jornal Estado de S. Paulo, na qual o autor sustenta que a atuação do Supremo no caso amplia o descrédito institucional e tende a repercutir na campanha do “ano que começa”.
Waack afirma que o principal resultado, até aqui, da operação montada no STF para tratar do escândalo é “acelerar o descrédito da instituição”, algo que, segundo ele, já aparece como elemento observado por agências internacionais de risco político. Para o colunista, a corrosão da confiança no tribunal é impulsionada não apenas pelos ataques de grupos tradicionalmente hostis ao Judiciário, mas principalmente pela forma como alguns ministros conduzem o caso, gerando a percepção de que a Corte passou a agir de maneira improvisada e personalista.
Um dos episódios apontados como particularmente danoso, segundo Waack, foi a repercussão em torno da chamada “acareação” de envolvidos no caso. Ele escreve que “nada de relevante se obteve além do que a defesa dos investigados e esclarecimentos públicos por parte do Banco Central já haviam dito”, e sugere que o evento teve mais impacto negativo na imagem do STF do que utilidade institucional. Na leitura do colunista, a sessão teria exposto um quadro de pressa, improviso e ações guiadas por interesses pessoais.
Waack destaca ainda o que considera um fator agravante na condução do episódio: o que ele descreve como “o espetáculo de pressa, improvisação, caprichos e empenho pessoais de um ministro transformado em investigador de um setor (o financeiro) do qual ele notoriamente pouco entende”. Segundo ele, o impacto foi ampliado pela simbologia de um ministro que teria dado ordens remotamente “de casa”, isto é, de um resort de familiares”, o que, em sua avaliação, alimentou a percepção pública de um Supremo mais preocupado com encenação e protagonismo do que com sobriedade.
Para o autor, esse tipo de condução abre espaço para uma pergunta que, segundo ele, jamais deveria recair sobre uma Corte suprema: “quais seriam no fundo seus objetivos ao se dedicar ao escândalo do Master”. É nesse ponto que a análise enxerga o elo direto com o processo eleitoral: diante do desgaste, a política passa a incorporar o tema, e a disputa se desloca para quem teria condições de “dar um jeito” na crise institucional e de que forma isso seria feito.
Waack argumenta que, em outras épocas, debates julgados por cortes supremas — como aborto, por exemplo — já entravam no campo das disputas partidárias. Mas agora, segundo ele, o que está em jogo é mais profundo: “o próprio papel e atuação do STF”. Na sua leitura, a degradação da imagem do tribunal deixou de ser fenômeno restrito a grupos extremistas e se transformou em algo mais amplo, com raízes inclusive além das elites econômicas.
O colunista avalia que o desgaste do STF já se tornou parte de um “descrédito geral, e já bem antigo, em relação a instituições como o Judiciário”, e que isso tende a ser politicamente explorado. Ele afirma que esse quadro “contribui diretamente para bandeiras políticas da oposição ao atual governo, cuja existência é diretamente associada ao STF”, sinalizando que a disputa eleitoral tende a absorver o tema como combustível.
Na visão apresentada pelo jornalista, o problema central não é apenas a crítica ao Supremo, mas o fato de que a crítica se tornou socialmente aceitável em escala muito maior. Ele argumenta que qualquer profissional de marketing político reconhece que, nesse ambiente, a bandeira da “defesa da democracia” perde força quando confrontada com suspeitas de que grandes interesses estejam orientando o comportamento de ministros. E conclui que o que realmente pesa no campo político é a percepção pública, pois “essa percepção é o verdadeiro ‘fato’ político”.
Waack finaliza observando que a retórica tradicional de setores bolsonaristas contra o STF era vista antes como um ataque radical e antidemocrático, mas, diante dos episódios recentes, essa postura teria se tornado “salonsfaehig”, isto é, “plenamente aceitável”. Para ele, é essa mudança de patamar — de crítica marginal para crítica legitimada socialmente — que pode transformar o desgaste institucional do Supremo em um elemento decisivo da próxima campanha eleitoral.



