A poucos dias do fim da trégua, Irã mantém bloqueio em Ormuz e diz estar longe de acordo com os EUA
Bloqueio no Estreito de Ormuz interrompe fluxo de petróleo e eleva tensão global enquanto negociações entre Irã e EUA seguem sem avanço
247 - O Irã mantém neste domingo (19) o bloqueio no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento mundial de energia, ampliando a tensão com os Estados Unidos e impactando o transporte marítimo global em meio à guerra em curso entre os dois países. A paralisação ocorre poucos dias antes do fim do cessar-fogo previsto para quarta-feira (22), sem sinais concretos de um acordo duradouro, segundo a Folha de São Paulo.
O impasse diplomático persiste após negociações recentes não avançarem de forma significativa. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que ainda há grande distância entre as posições de Teerã e Washington, mesmo após conversas diretas realizadas na semana passada em Islamabad, no Paquistão.
Em pronunciamento televisionado no sábado (18), Ghalibaf declarou que os Estados Unidos não conseguiram pressionar o Irã nem obter apoio internacional suficiente para sustentar o conflito. “Ainda há uma grande distância entre nós”, afirmou. Ele acrescentou: “Há algumas questões nas quais insistimos... Eles também têm linhas vermelhas. Mas esses pontos podem ser apenas um ou dois”.
O bloqueio no estreito foi retomado após Teerã acusar Washington de descumprir a trégua ao manter restrições aos portos iranianos. A decisão interrompeu novamente o tráfego marítimo na região. Dados da plataforma MarineTraffic indicam que nenhuma embarcação entrou ou saiu do Golfo após a meia-noite deste domingo.
Relatos apontam que dois navios foram atacados ao tentar atravessar o estreito no sábado. Um petroleiro chinês e um transportador de gás indiano chegaram a seguir viagem, mas foram obrigados a retornar, reforçando o cenário de insegurança na rota.
A escalada do conflito, que já dura oito semanas desde os ataques iniciais de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, tem provocado forte impacto no mercado global de energia, com alta expressiva nos preços do petróleo.
Também neste domingo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, criticou a postura do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao programa nuclear do país. “Trump diz que o Irã não pode fazer uso de seus direitos nucleares, mas não diz por qual crime. Quem é ele para privar uma nação de seus direitos?”, declarou.
Enquanto isso, há incertezas sobre os esforços de mediação conduzidos pelo Paquistão. As negociações realizadas em Islamabad — as primeiras diretas entre os dois países em décadas — terminaram sem acordo, mas há sinais de que uma nova rodada pode ocorrer antes do fim do cessar-fogo.
Na capital paquistanesa, o ambiente segue sob vigilância. O Hotel Serena, local das negociações anteriores, suspendeu reservas e pediu que hóspedes deixassem o local devido a um evento governamental. A presença de forças de segurança permanece elevada, ainda que menor do que na rodada anterior.
Nos Estados Unidos, a pressão política sobre Donald Trump cresce diante da proximidade das eleições de meio mandato, inflação elevada e aumento nos preços dos combustíveis. Apesar disso, o presidente afirmou no sábado que o país está tendo “conversas muito boas” com o Irã, sem detalhar o conteúdo das negociações.
Em meio ao cenário de tensão, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que as forças navais do país estão preparadas para intensificar o confronto. Em mensagem divulgada em seu canal no Telegram, afirmou que o Irã está pronto para infligir “novas derrotas amargas” aos seus adversários.


