Agências ocidentais não veem indícios de que o Irã esteja produzindo armas nucleares
Relatórios de inteligência indicam ausência de enriquecimento em nível militar, apesar de ameaças de Trump e de recentes ataques a instalações iranianas
247 - Relatórios de inteligência de países ocidentais não identificaram sinais de que o Irã esteja enriquecendo urânio para a produção de armas nucleares, segundo apuração do New York Times. De acordo com a publicação, embora haja movimentação em instalações nucleares iranianas — inclusive em locais atingidos por ataques no ano passado — não foi detectado enriquecimento em níveis compatíveis com material bélico. A informação foi divulgada em meio à intensificação das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o tempo estaria “se esgotando” para um acordo nuclear com Teerã.
Em 2025, Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra instalações nucleares iranianas, alegando que a ofensiva teria como objetivo impedir que o país desenvolvesse armas nucleares — uma intenção que o Irã nega. As ações militares atingiram as usinas de enriquecimento de Fordow e Natanz, além do centro de pesquisas de Isfahan.
Segundo o New York Times, o urânio que estava enterrado nas áreas bombardeadas — considerado o material mais próximo de níveis adequados para armamento — permanece no local. A atividade observada atualmente nessas instalações estaria limitada a escavações destinadas à construção de estruturas mais protegidas. O jornal afirma ainda que não foram identificados novos sítios nucleares, embora haja movimentação restrita em duas instalações inacabadas nas proximidades de Natanz e Isfahan.
Donald Trump declarou anteriormente que os ataques teriam “obliterado” a capacidade de enriquecimento do Irã. No entanto, a Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, divulgada recentemente, aponta que o programa nuclear iraniano foi apenas “significativamente degradado”. Fontes ouvidas pelo New York Times indicaram que o Irã poderia religar suas centrífugas em cerca de dois meses e alcançar níveis de enriquecimento compatíveis com armas nucleares em até um ano, caso consiga recuperar o combustível enterrado.
Nos últimos dias, Donald Trump intensificou o tom contra Teerã, passando de críticas à resposta do governo iraniano a protestos internos — descritos pelo Irã como uma insurreição apoiada por forças estrangeiras — para a emissão de ultimatos relacionados ao programa nuclear. Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos anunciou que uma “armada maciça” estaria a caminho do Irã, pronta para usar “violência” caso o país não aceitasse negociar um acordo nuclear. Dois dias depois, afirmou ter estabelecido um prazo para as negociações e advertiu: “Se não fizermos um acordo, veremos o que acontece”.
O governo iraniano reagiu de forma firme. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que o país estava “pronto para a guerra” e que só consideraria propostas de negociação dos Estados Unidos se as ameaças militares fossem retiradas. “As negociações não podem ocorrer sob a sombra de ameaças”, afirmou Araghchi em Istambul, durante uma visita voltada à discussão de uma possível iniciativa de mediação.
No mesmo dia, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, reuniu-se em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O encontro teria como foco as recentes ameaças feitas por Donald Trump.
A Rússia, por sua vez, tem defendido a via diplomática. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou nesta semana que “quaisquer ações de força só podem criar caos na região”. Já o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou que Moscou está disposta a ajudar a reduzir as tensões e a facilitar negociações entre as partes envolvidas.


