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Agricultores franceses realizam novo protesto em Paris para tentar barrar acordo com o Mercosul

Aprovação do acordo com o Mercosul pela maioria dos países da União Europeia, apesar da rejeição da França, intensificou a pressão sobre o governo Macron

Um trator permanece em frente ao Arco do Triunfo enquanto agricultores franceses protestam contra a condução do governo em relação ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul e ao surto de dermatose nodular contagiosa, em Paris, França, em 13 de janeiro de 2026. (Foto: REUTERS/Benoit Tessier)

PARIS, 13 de janeiro (Reuters) – Agricultores franceses levaram tratores a Paris nesta terça-feira, pela segunda vez em uma semana, para protestar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul que, segundo eles, ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas.

Produtores rurais da França, maior produtor agrícola da União Europeia, e de outros países do bloco vêm protestando há meses contra o acordo UE-Mercosul e contra uma série de reivindicações locais.

A manifestação desta terça-feira foi organizada pela FNSEA, um dos maiores sindicatos agrícolas da França. Um outro sindicato, a Coordination Rurale, já havia levado tratores à região da Torre Eiffel e do Arco do Triunfo na última quinta-feira, em um protesto surpresa.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou na rede social X que solicitou ao ministro da Agricultura a elaboração de um “projeto de lei de emergência” voltado a questões relacionadas à água, ataques de lobos a rebanhos e problemas de produção, muitos deles apontados pela FNSEA.

O governo também pretende propor medidas fiscais, incluindo o reforço de poupanças preventivas e apoio aos agricultores para que possam lidar melhor com choques econômicos.

No entanto, Lecornu ressaltou que essas medidas só entrarão em vigor após a aprovação do orçamento.

A França enfrenta dificuldades para aprovar seu orçamento de 2026, que está atrasado, em um Parlamento dividido. Os deputados devem retomar as discussões ainda nesta semana.

A polícia de Paris informou que estima que cerca de 350 tratores participaram da manifestação desta terça-feira.

Os tratores voltaram a se concentrar nas imediações do Arco do Triunfo e seguiram até o prédio do Parlamento francês, em frente ao qual alguns agricultores despejaram várias toneladas métricas de batatas.

“O acordo com o Mercosul foi aprovado mesmo sem o Parlamento Europeu ter se pronunciado. Isso vai levar à importação de produtos estrangeiros que somos perfeitamente capazes de produzir na França e que não respeitam os padrões impostos à agricultura francesa”, afirmou Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA e agricultor da região de Paris.

Greffin disse que, além do protesto em frente ao Parlamento francês, os agricultores também planejam uma manifestação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.

A aprovação do acordo com o Mercosul pela maioria dos países da União Europeia na sexta-feira, apesar da rejeição da França, intensificou a pressão sobre o governo por parte dos agricultores e de partidos de oposição, alguns dos quais apresentaram moções de desconfiança.

“A agricultura está atravessando uma crise como nunca vimos e precisamos fazer nossa voz ser ouvida”, disse Guillaume Lefort, produtor de grãos da região de Seine-et-Marne, nos arredores de Paris, segurando uma bandeira da FNSEA em frente ao prédio da Câmara dos Deputados.

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