Alemanha só vai "se envolver" no Oriente Médio "quando as armas se calarem"
Chanceler Friedrich Merz afirma que país só participará de ações na região após cessar-fogo e com mandato internacional
247 - A Alemanha só deverá se envolver diretamente no Oriente Médio após o encerramento das operações militares na região. A declaração foi feita nesta quinta-feira (19) pelo chanceler Friedrich Merz, durante encontro de líderes europeus em Bruxelas, que discutem a escalada do conflito. Segundo ele, qualquer participação alemã está condicionada ao fim dos combates.
Ao detalhar a posição do governo alemão, Merz afirmou que a atuação do país dependerá de condições específicas e de coordenação com parceiros estratégicos. “Podemos e só poderemos nos envolver quando as armas se calarem”, declarou o chanceler a jornalistas.
O líder alemão também destacou que uma eventual ação do país será articulada em conjunto com Israel e com os países do Golfo. De acordo com ele, a Alemanha tem capacidade de contribuir significativamente em operações logísticas e de segurança marítima, mas apenas após o término das hostilidades. “Podemos fazer muita coisa, incluindo abrir rotas marítimas e mantê-las seguras”, disse. “Mas não fazemos isso enquanto os combates estão em andamento. Só faremos isso quando as hostilidades tiverem terminado".
As declarações ocorrem em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou aliados por, segundo ele, não contribuírem o suficiente para garantir a segurança do Estreito de Ormuz. A via marítima estratégica foi efetivamente fechada pelo Irã após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel.
Trump argumenta que países aliados que dependem do petróleo transportado pela região também deveriam assumir responsabilidade pela segurança do local. “Cuidar daquela passagem” é uma obrigação compartilhada, segundo a posição do presidente dos Estados Unidos.
Apesar da cobrança, países europeus têm demonstrado resistência em atender às demandas de Washington. Merz indicou que ainda existem vários obstáculos antes que a Alemanha possa considerar qualquer envio de recursos ou forças à região.
Entre esses entraves, o chanceler destacou a necessidade de um mandato internacional para legitimar qualquer operação. “Ainda há muitos passos pela frente”, afirmou. “Precisamos de um mandato internacional, que atualmente não temos.”


