Analistas apontam que a China pode reduzir compra de soja dos EUA após Suprema Corte derrubar tarifas de Trump
Presidente dos EUA vinha afirmando nas últimas semanas que Pequim compraria mais 8 milhões de toneladas métricas de soja do país
247 - A China pode ficar menos inclinada a realizar uma nova grande compra de soja dos Estados Unidos após a Suprema Corte do país derrubar, nesta sexta-feira (20), as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Darin Fessler, assessor sênior de hedge da Lakefront Futures, afirmou à Reuters que a retirada das tarifas pode alterar o cenário das negociações. "O que Trump vinha fazendo era pressionar a China ao máximo", disse. Ele acrescentou: "A soja dos EUA ainda é mais cara que a do Brasil. Sem ser forçada, por que a China iria querer comprar dos EUA?"
Trump vinha afirmando nas últimas semanas que Pequim compraria mais 8 milhões de toneladas métricas de soja. A declaração foi feita em 4 de fevereiro na rede Truth Social. Desde então, os contratos mais negociados do grão acumularam alta de 8,49%, mas registraram leve queda na manhã de sexta-feira (20).
No entanto, mesmo durante a recente valorização da soja estadunidense, operadores já demonstravam dúvidas sobre a possibilidade de a China adquirir volumes adicionais relevantes. Eles afirmaram que observarão possíveis mudanças na política tarifária e sinais de que a China poderá manter compras nos Estados Unidos ou ampliar aquisições no Brasil e na Argentina, países com os quais não mantém guerra comercial.
China já comprou 12 milhões de toneladas dos EUA
Produtores rurais estadunidenses enfrentam o quarto ano consecutivo de lucros baixos ou negativos, e a renda agrícola deve recuar neste ano, apesar de pagamentos governamentais próximos de níveis recordes. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou a liberação de US$ 11 bilhões em pagamentos emergenciais, em parte devido às dificuldades no acesso aos mercados externos. A adesão ao programa será aberta na próxima semana.
A China já comprou 12 milhões de toneladas métricas de soja dos Estados Unidos, cumprindo sua parte em uma trégua comercial firmada em outubro, após meses evitando o produto no ano passado. A estatal chinesa Sinograin realizou leilões públicos para abrir espaço aos embarques, apesar da expectativa de uma safra recorde no Brasil, com preços mais competitivos.
Com uma colheita volumosa em andamento, o Brasil oferece soja significativamente mais barata. Sem o instrumento das tarifas, o produto estadunidense tende a enfrentar maior dificuldade para competir. A Suprema Corte decidiu que Trump excedeu sua autoridade ao impor tarifas com base em uma lei destinada a emergências nacionais. Para agentes do mercado que acompanham a China, maior importadora mundial de soja, o cenário adiciona incerteza a um ambiente já volátil.


