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Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas é positiva, mas precisamos de cautela, avalia Celso Amorim

De acordo com o diplomata, o atual cenário exige prudência diante das possíveis reações do presidente Donald Trump

Celso Amorim (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

247 - O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, avaliou como positiva a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas comerciais impostas pelo governo estadunidense. A informação foi divulgada pelo SBTNews, que destacou a análise do diplomata brasileiro sobre o cenário envolvendo Brasil e EUA.

Na entrevista, Amorim ponderou que o atual cenário exige prudência diante das possíveis reações do presidente Donald Trump (Partido Republicano). “É positivo. Mas sejamos cautelosos”, afirmou o assessor ao comentar o entendimento da Corte estadunidense. 

O Judiciário dos EUA decidiu que a Constituição do país atribui ao Congresso — e não ao presidente — a competência para impor impostos e tarifas a outras nações. A medida altera o ambiente jurídico que sustentava parte das sobretaxas aplicadas nos últimos anos.

Relação Brasil–EUA e impacto comercial

A decisão ocorre em meio a um processo de reaproximação diplomática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Lula deve viajar a Washington em março, em agenda que integra as negociações bilaterais iniciadas no ano passado.

Embora a Casa Branca tenha recuado em parte das tarifas, especialmente sobre produtos do agronegócio brasileiro, ainda permanecem barreiras comerciais em vigor. Esses pontos seguem na pauta de negociação entre os dois países.

Dados divulgados em janeiro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, sob o impacto do chamado tarifaço imposto por Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6% em 2025. O total exportado somou US$ 37,716 bilhões, abaixo dos US$ 40,368 bilhões registrados em 2024.

No sentido contrário, as importações de produtos estadunidenses avançaram 11,3% em 2025, alcançando US$ 45,246 bilhões, ante US$ 40,652 bilhões no ano anterior. O resultado foi um déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial brasileira com os EUA no ano.

Em novembro de 2025, Trump anunciou a retirada de uma tarifa adicional de 40% que incidia sobre diversos produtos brasileiros. Mas, pelos cálculos do próprio ministério brasileiro, 22% das exportações do Brasil para o mercado dos EUA — o equivalente a US$ 8,9 bilhões — continuam submetidas às tarifas estabelecidas em julho.

O desfecho jurídico nos EUA pode influenciar diretamente o rumo das negociações comerciais, mas, como ressaltou Celso Amorim, o cenário ainda depende dos próximos movimentos políticos e institucionais em Washington.

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