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Apoio a plano de Trump para “adquirir” a Groenlândia é de apenas 17% dos estadunidenses, aponta pesquisa Reuters/Ipsos

Levantamento mostra rejeição ampla ao uso de força militar e temor de desgaste na OTAN após ameaças à Dinamarca

Homem perto da bandeira de Dinamarca em Nuuk, na Groenlândia - 09/03/2025 (Foto: REUTERS/Marko Djurica)

247 – Apenas 17% dos norte-americanos aprovam os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para adquirir a Groenlândia, enquanto 47% desaprovam e 35% dizem não ter certeza, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quarta-feira.

O levantamento também indica que a ideia de usar força militar para anexar a ilha — território ligado à Dinamarca há séculos — enfrenta resistência expressiva tanto entre democratas quanto entre republicanos, ampliando o desgaste político de uma proposta que Trump tenta justificar em nome da “segurança” e da disputa geopolítica no Atlântico Norte.

Baixa adesão e rejeição ao uso de força

De acordo com a pesquisa, somente 4% dos entrevistados disseram que seria uma “boa ideia” os EUA usarem força militar para tomar a Groenlândia da Dinamarca. A maioria, 71%, avaliou que seria uma “má ideia”, incluindo cerca de nove em cada dez democratas e seis em cada dez republicanos. Entre republicanos, aproximadamente um terço afirmou não ter certeza se seria bom ou ruim.

Outro dado reforça o baixo apetite por aventuras militares externas: 10% concordaram com a afirmação de que os EUA “deveriam usar força militar para obter novo território, como a Groenlândia e o Canal do Panamá”, percentual praticamente estável em relação a uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada no ano anterior, quando o índice era de 9%.

Ameaças à Dinamarca e temor de abalo na OTAN

A sondagem captou ainda preocupação com os efeitos diplomáticos das ameaças de Trump contra a Dinamarca, aliada na OTAN. Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados — incluindo 91% dos democratas e 40% dos republicanos — disseram estar preocupados que os esforços dos EUA para adquirir a Groenlândia possam prejudicar a aliança militar e as relações com parceiros europeus.

A percepção de risco é amplificada pelo alerta do governo dinamarquês de que o uso de força militar significaria, na prática, o colapso da OTAN, pacto transatlântico criado em 1949 e considerado um dos pilares da ordem internacional do pós-guerra.

A Casa Branca e a busca por “controle” sobre a ilha

A Reuters relata que autoridades da Casa Branca discutiram diferentes caminhos para colocar a Groenlândia sob controle norte-americano, incluindo desde a possibilidade de uso de força militar até o pagamento de uma quantia única aos groenlandeses como parte de uma tentativa de convencê-los a se separar da Dinamarca.

A movimentação se dá às vésperas de uma reunião, prevista para esta quarta-feira na Casa Branca, entre o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio com os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia. O encontro ocorre um dia depois de o primeiro-ministro groenlandês ter declarado, segundo a Reuters, que o país preferiria permanecer como parte da Dinamarca.

Trump cita “segurança” e disputa com Rússia e China

Trump tem afirmado que a Groenlândia é “vital” para a segurança dos Estados Unidos e que Washington precisaria “possuir” o território para impedir que Rússia ou China ocupem, no futuro, uma área considerada estratégica e rica em recursos minerais.

Esse argumento se encaixa no discurso de expansão de influência e domínio regional que, segundo a Reuters, Trump vem intensificando no início do novo mandato. No texto, a agência afirma que, neste mês, ele prometeu “run” Venezuela após ordenar uma operação militar que resultou no sequestro do presidente do país.

Ceticismo até entre republicanos

Mesmo dentro do Partido Republicano, parte dos parlamentares demonstrou ceticismo em relação à ofensiva de Trump, especialmente quando ela envolve ameaças diretas a um aliado histórico. Ainda assim, segundo a Reuters, há republicanos que apoiam iniciativas legislativas para dar ao presidente instrumentos que ampliem seu poder de anexação da Groenlândia.

Contexto: promessa de evitar guerras e apoio limitado a intervenções

Trump fez campanha com promessas de evitar guerras, conquistando apoio de eleitores cansados de décadas de conflitos externos, como as guerras no Iraque e no Afeganistão. A pesquisa sugere que essa sensibilidade segue presente no eleitorado: a disposição para intervenções militares e para a expansão territorial permanece baixa ao longo do segundo mandato do presidente.

A Reuters também menciona que Trump tem ameaçado agir contra o Irã caso autoridades “maltratem” manifestantes e recorda que, no ano passado, ele ordenou ataques dos EUA em apoio a Israel em uma guerra de curta duração contra o Irã. Na nova pesquisa Reuters/Ipsos, 33% aprovam a condução de Trump em relação ao Irã, enquanto 43% desaprovam.

Como foi feita a pesquisa

Segundo a Reuters, a pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online, em âmbito nacional, com 1.217 adultos nos Estados Unidos, com margem de erro de 3 pontos percentuais.

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