Após "ataque preventivo" contra o Irã, Israel também agride o Líbano
Bombardeios no sul do país e uso de drones em Markaba ampliam denúncias de violações do cessar-fogo firmado em novembro de 2024
247 – Israel voltou a bombardear o sul do Líbano neste sábado, atingindo áreas da região de Iqlim al-Tuffah, em meio à escalada regional que inclui o recente “ataque preventivo” contra o Irã. As informações foram publicadas pela Al Jazeera, com base em relatos de seu correspondente no terreno e confirmações de veículos libaneses.
Segundo a reportagem, ataques aéreos alcançaram Blat e Wadi Barghouti, no sul do país, configurando mais um episódio descrito como violação do cessar-fogo firmado em novembro de 2024 entre Israel e o Hezbollah. O Exército israelense declarou que as operações teriam como alvo infraestrutura do Hezbollah, justificativa recorrente nas ações militares na região.
Bombardeios em Iqlim al-Tuffah e sobrevoos constantes
O correspondente da Al Jazeera informou que, até o momento, não houve registro de vítimas nos ataques mais recentes, destacando que a maioria das incursões atingiu áreas abertas, entre florestas e colinas. Ainda assim, aeronaves militares israelenses continuam sobrevoando o sul do Líbano, mantendo o clima de tensão permanente.
A emissora libanesa Al-Mayadeen confirmou que aviões israelenses realizaram uma série de bombardeios nas elevações da região de al-Tuffah. Já a Al-Manar TV, ligada ao Hezbollah, relatou que drones israelenses do tipo "quadcopter" lançaram dispositivos explosivos pela terceira vez na cidade de Markaba.
O uso reiterado de drones em áreas habitadas reforça a percepção de instabilidade, mesmo sob um cessar-fogo que deveria ter encerrado mais de um ano de confrontos diretos entre Israel e o grupo libanês.
Mortes recentes no Vale do Bekaa
A reportagem também contextualiza os ataques com episódios recentes no Vale do Bekaa. Na quinta-feira, bombardeios israelenses na região mataram uma pessoa e feriram outras 29, segundo a Al Jazeera.
O Ministério da Saúde do Líbano anunciou que "um menino sírio de 16 anos foi morto", conforme divulgado pela agência National News Agency (NNA). A vítima foi identificada como Hussein Mohsen al-Khalaf, morto em um ataque a Kfar Dan, perto de Baalbek, informação também reportada pelo veículo L’Orient.
Na semana anterior, ao menos 12 pessoas foram mortas em bombardeios israelenses no Vale do Bekaa e no campo palestino de refugiados de Ein el-Hilweh, próximo à cidade de Sidon. Israel declarou que mirava centros de comando do Hezbollah e do Hamas.
Cessar-fogo sob desgaste e impasse político
Apesar do acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, destinado a encerrar mais de um ano de combates, Israel segue realizando ataques no território libanês. Segundo dados citados pela Al Jazeera, mais de 300 pessoas foram mortas desde então, incluindo 127 civis, de acordo com as Nações Unidas.
A guerra entre Israel e o Líbano teve início em outubro de 2023 e se transformou em conflito em larga escala em setembro de 2024. Durante esse período, mais de 4.000 pessoas foram mortas e cerca de 17.000 ficaram feridas, segundo a reportagem.
O texto também afirma que Israel continua ocupando partes do Líbano, o que estaria impedindo a reconstrução de vilarejos fronteiriços e dificultando o retorno de moradores deslocados.
No plano político, o governo libanês declarou que está próximo de concluir seu compromisso no cessar-fogo de desarmar o Hezbollah ao sul do rio Litani, estimando que precisará de quatro meses para finalizar a segunda fase.
O Hezbollah, por sua vez, rejeitou essa interpretação, sustentando que o desarmamento previsto no acordo se aplica apenas às áreas ao sul do rio. O grupo também afirmou que não irá se desarmar enquanto Israel continuar atacando e ocupando partes do território libanês.
A sequência de bombardeios no sul do Líbano, somada às mortes recentes no Vale do Bekaa, evidencia o desgaste do cessar-fogo e aprofunda a instabilidade em uma região já pressionada por conflitos simultâneos e pela ampliação das tensões envolvendo Israel e o Irã.


