Após fracasso de EUA e Israel em mudança de regime no Irã, filho de Khamenei desponta como favorito à sucessão do líder supremo
Mojtaba Khamenei aparece como principal nome, segundo autoridades iranianas ouvidas pelo The New York Times
247 - Mojtaba Khamenei, filho mais velho do aiatolá Ali Khamenei, desponta como o principal candidato para assumir a posição de líder supremo do Irã. A possibilidade ganhou força após relatos de que integrantes da Assembleia de Peritos, órgão responsável pela escolha da liderança máxima do país, consideram seu nome o favorito para ocupar o cargo.
Segundo reportagem do The New York Times, citada pela CNN Brasil, três autoridades iranianas afirmaram que o conselho de especialistas dentro da Assembleia de Peritos já teria indicado Mojtaba como a opção mais provável para a sucessão. As fontes ouvidas pelo jornal norte-americano apontaram que o anúncio poderia ocorrer ainda na manhã desta quarta-feira (4).
Reuniões virtuais marcam processo de escolha
A Assembleia de Peritos tem realizado reuniões virtuais para tratar da sucessão. Na terça-feira (3), o grupo se reuniu duas vezes de forma remota. A decisão de abandonar os encontros presenciais foi tomada após um ataque israelense atingir o prédio onde ocorreria uma das reuniões, embora o local estivesse vazio naquele momento.
A adoção de reuniões online passou a ser vista como uma medida de segurança, destinada a evitar que possíveis novas lideranças iranianas se tornem alvo de ataques militares. O ambiente de tensão elevou o grau de cautela nas discussões internas sobre o futuro da liderança política e religiosa do país.
Apesar da preferência apontada por parte dos integrantes do conselho, alguns membros da Assembleia de Peritos demonstraram preocupação com a possibilidade de Mojtaba Khamenei assumir o cargo. Entre as reservas citadas por autoridades ouvidas pelo jornal está o temor de que ele se torne alvo potencial de ações militares dos Estados Unidos e de Israel.
Escalada de tensão após morte de Ali Khamenei
O debate sobre a sucessão ocorre em meio à intensificação da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e da escalada geopolítica no Oriente Médio.
Após a confirmação da morte, o governo iraniano prometeu reagir. O presidente do país, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã considera retaliar os ataques como um “direito e dever legítimo”.
O conflito se intensificou com ameaças de novas ofensivas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu o Irã contra possíveis retaliações e declarou: “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”.
Retaliações e instabilidade regional
O governo iraniano também anunciou uma série de medidas militares contra instalações militares e embaixadas dos EUA em países do Oriente Médio. Entre os alvos mencionados estão os situados nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
A sucessão do líder supremo, figura central na estrutura política e religiosa do Irã, ocorre em um cenário de grande instabilidade regional.


