'Temos capacidade para resistir e fazer uma defesa ofensiva por mais tempo do que o previsto', diz porta-voz do Irã
O general Reza Talai-Nik afirmou que Teerã ainda não empregou seus recursos bélicos mais avançados contra EUA e Israel
247 - O porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, general Reza Talai-Nik, declarou nesta terça-feira (3) que o país está preparado para sustentar um conflito de longa duração contra os Estados Unidos e Israel. As declarações foram divulgadas pela agência estatal Irna, em meio à intensificação dos confrontos iniciados no último sábado (28).
O militar afirmou que Teerã ainda não empregou seus recursos bélicos mais avançados. No mesmo dia, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que uma “terceira onda” de ataques deve ocorrer “em breve”, ampliando o clima de tensão no Oriente Médio.
Sem provas, o chefe da Casa Branca acusou o Irã de querer o desenvolvimento de armas nucleares, mas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou que inspetores da ONU não encontraram prova sobre o desenvolvimento de armas nucleares pelo país asiático.
Ao comentar a estratégia iraniana, Talai-Nik destacou a capacidade de resistência do país diante do que classificou como guerra imposta. “Temos capacidade para resistir e realizar uma defesa ofensiva por mais tempo do que o previsto [pelo inimigo] para esta guerra imposta. Não temos intenção de utilizar todas as nossas armas e equipamentos de ponta desde o início”, afirmou.
A escalada militar teve início no sábado (28), quando forças dos EUA e de Israel passaram a bombardear alvos em território iraniano. Desde então, o cenário regional se deteriorou rapidamente.
De acordo com a mídia estatal iraniana, com base em dados do Crescente Vermelho — organização integrante do movimento internacional da Cruz Vermelha que atua no Oriente Médio —, ao menos 787 pessoas morreram no Irã desde o começo da ofensiva.
Uma das vítimas foi o líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei. Seu filho - Mojtaba Khamenei - foi escolhido como o novo líder supremo do Irã.
Capacidade militar
Dados do ranking Global Fire Power 2025, que avaliou 145 países com base em mais de 60 critérios, colocam os Estados Unidos na liderança mundial em poderio militar. O levantamento considera fatores como capacidade aérea, terrestre e naval, além de logística e efetivo.
O Irã ocupa a 16ª posição no ranking e mantém um contingente significativo. O país possui 610 mil militares na ativa e cerca de 350 mil reservistas. Aproximadamente 220 mil integrantes de forças paramilitares atuam em seu território, ampliando o potencial de mobilização em caso de guerra prolongada.
O Irã ocupa a 16ª posição no ranking e mantém um contingente significativo. O país possui 610 mil militares na ativa e cerca de 350 mil reservistas. Aproximadamente 220 mil integrantes de forças paramilitares atuam em seu território, ampliando o potencial de mobilização em caso de guerra prolongada.
'Guerra não é contra o Golfo'
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não está em confronto com os países do Golfo Pérsico, mas sim em enfrentamento direto com os Estados Unidos, na esteira dos ataques realizados no último sábado. As declarações foram divulgadas pela mídia estatal do Irã, que repercutiu o posicionamento do ministro em meio à escalada da tensão regional.
No cenário geopolítico, os EUA têm, ao menos formalmente, oito parceiros no Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Já o Irã mantém vínculos com o Paquistão, com o Hezbollah — organização baseada no Líbano — e com o Iêmen.
Nova ofensiva anunciada
Em Washington, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que uma nova etapa da ofensiva será lançada “em breve”. Antes de se reunir com o chanceler alemão Friedrich Merz, o chefe da Casa Branca declarou, no Salão Oval, que os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel teriam destruído “praticamente tudo” no Irã.
Com a perspectiva de novos bombardeios e a sinalização de resistência prolongada por parte de Teerã, o conflito entra em uma fase de maior incerteza, com impactos diretos na estabilidade do Oriente Médio e na dinâmica geopolítica internacional.


