Chanceler Abbas Araghchi diz que o Irã não está em guerra com as nações do Golfo, mas sim com os EUA
O ministro Abbas Araghchi defendeu que os países do Oriente Médio pressionem os Estados Unidos por suas ações contra o território iraniano
247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país não está em guerra com as nações do Golfo, mas sim com os Estados Unidos, após os ataques realizados no último sábado. As declarações foram divulgadas pela mídia estatal iraniana, que repercutiu as falas do chefe da diplomacia em meio à escalada do conflito regional.
Segundo a imprensa oficial do Irã, Araghchi ressaltou que Teerã considera Washington responsável pela atual crise militar e defendeu que os países do Oriente Médio pressionem os Estados Unidos por suas ações contra o território iraniano. “Não estamos em guerra com os países da região”, afirmou. Ele acrescentou que o confronto é direcionado exclusivamente aos Estados Unidos, após o país ter sido atacado no sábado.
Araghchi também acusou Washington de romper compromissos diplomáticos ao realizar bombardeios em conjunto com Israel enquanto negociações estavam em andamento para evitar um confronto militar. Segundo ele, os Estados Unidos “traíram a diplomacia” ao optarem pela via militar.
O ministro ainda indicou que bases militares norte-americanas permanecem como alvos legítimos, mesmo quando instaladas em países do Golfo. “Não estamos atacando nossos vizinhos, estamos atacando bases militares dos EUA”, declarou à mídia estatal. Em seguida, reforçou o tom das advertências: “Soldados dos EUA fugindo para hotéis não impedirão que sejam alvos.”
As declarações do principal diplomata iraniano ocorrem em um momento de crescente tensão no Oriente Médio, com ataques e contra-ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além de impactos indiretos sobre países da região do Golfo.
Mesmo sem provas, os EUA acusam o Irã de querer o desenvolvimento de arma nuclear e afirmam que o país asiático representa uma ameaça para a estabilidade global. O governo estadunidense acusa o regime iraniano de descumprir acordos para a não proliferação de armas nucleares.
Entenda
Teoricamente, os EUA têm ao menos oito aliados no Oriente Médio - Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Já o Irã tem como aliados o Paquistão, Hezbollah (grupo do Líbano), e o Iêmen. Catar, Omã e Iraque seriam países considerados neutros, de acordo com o Portal G1.
Já o Golpe Pérsico é uma região formada por oito países - Irã, Iraque, Arábia Saudita, Bahrein, Catar , Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Impacto humanitário
O avanço das hostilidades tem provocado um crescimento expressivo no número de vítimas. A ONG Crescente Vermelho informou que, desde o início da ofensiva no sábado, os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel resultaram em 555 mortes no Irã. O levantamento não detalha quantas vítimas são civis, integrantes das Forças Armadas ou autoridades políticas.
A entidade também apontou que 131 cidades iranianas já foram atingidas, ampliando o alcance geográfico da crise. Do lado norte-americano, as Forças Armadas dos Estados Unidos confirmaram a morte de quatro militares. Outros 18 soldados seguem em estado grave após ações de retaliação atribuídas ao Irã.
Com a escalada dos confrontos e o envolvimento indireto de países do Golfo, o conflito assume contornos regionais, com repercussões militares, diplomáticas e humanitárias que continuam a se desdobrar.


