HOME > Mundo

Apuração dos EUA liga forças americanas a ataque a escola no Irã

Investigação militar preliminar analisa se bombardeio que atingiu escola feminina em Minab foi realizado por forças dos Estados Unidos

Apuração dos EUA liga forças americanas a ataque a escola no Irã (Foto: Reprodução/X)

247 - Uma investigação conduzida pelo próprio governo dos Estados Unidos aponta que forças norte-americanas podem ter sido responsáveis por um ataque que atingiu uma escola feminina no sul do Irã e matou dezenas de crianças. A avaliação ainda é considerada preliminar e a apuração oficial segue em andamento, segundo dois funcionários norte-americanos ouvidos pela agência Reuters.

Investigadores militares consideram provável que o ataque tenha sido realizado por forças dos EUA, embora ainda não haja uma conclusão definitiva nem confirmação oficial sobre a responsabilidade.

O episódio ocorreu no sábado (28), durante o primeiro dia dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. A escola atingida fica na cidade de Minab, na província de Hormozgan. O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que o bombardeio matou 150 estudantes, número que não pôde ser confirmado de forma independente pela Reuters.

Registros arquivados do site oficial da escola indicam que o colégio está localizado ao lado de um complexo administrado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força militar ligada diretamente ao líder supremo do Irã.

As autoridades norte-americanas que falaram à Reuters pediram anonimato por se tratar de uma investigação militar sensível. Elas afirmaram que ainda existe a possibilidade de surgirem novas evidências que apontem outro responsável pelo ataque e isentem os Estados Unidos. Também não foram divulgados detalhes sobre o tipo de munição usada, as circunstâncias da operação ou o motivo pelo qual o local foi atingido.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou que o caso está sendo investigado. Em entrevista coletiva, ele afirmou: “Estamos investigando isso. Nós, obviamente, nunca miramos alvos civis. Mas estamos analisando e investigando o caso".

O Pentágono encaminhou questionamentos da Reuters ao Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos. O porta-voz da instituição, capitão Timothy Hawkins, declarou: “Seria inadequado comentar enquanto o incidente está sob investigação".

A Casa Branca também não comentou diretamente o conteúdo da investigação. Em declaração enviada à Reuters, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou: “Enquanto o Departamento de Guerra investiga esse caso, o regime iraniano é que ataca civis e crianças, não os Estados Unidos da América".

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a jornalistas que Washington não atacaria deliberadamente uma escola. Segundo ele: “O Departamento de Guerra estaria investigando isso se esse ataque fosse nosso, e eu encaminharia sua pergunta a eles".

Imagens de satélite analisadas por especialistas sugerem que o ataque pode ter sido realizado por meio de bombardeio aéreo. A Reuters compartilhou registros do local com N.R. Jenzen-Jones, diretor da consultoria Armament Research Services.

De acordo com o especialista: “Considerando as imagens de satélite e os vídeos disponíveis, tudo indica que a escola e o complexo do IRGC ao lado foram atingidos por múltiplos ataques simultâneos ou quase simultâneos com munições explosivas, provavelmente lançadas por via aérea".

Ele ressaltou que ainda é difícil determinar com precisão o tipo de armamento utilizado enquanto o conflito está em andamento. Para identificar a responsabilidade de forma conclusiva, investigadores normalmente analisam fragmentos de munição encontrados no local do ataque.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU também pediu uma investigação sobre o episódio. A porta-voz da entidade, Ravina Shamdasani, declarou em Genebra: “Cabe às forças que realizaram o ataque investigar o ocorrido".

Imagens exibidas pela televisão estatal iraniana mostraram o funeral das vítimas na terça-feira. Pequenos caixões cobertos com bandeiras iranianas foram levados por uma multidão até o local do sepultamento.

Especialistas em direito internacional humanitário apontam que ataques deliberados contra escolas, hospitais ou outras estruturas civis podem configurar crimes de guerra. Caso a participação dos Estados Unidos seja confirmada, o episódio poderá se tornar um dos casos com maior número de vítimas civis envolvendo forças norte-americanas no Oriente Médio nas últimas décadas.

Artigos Relacionados