Assassino de 175 meninas, Trump diz que "é uma grande honra" matar iranianos
Postagem do presidente dos Estados Unidos ocorre após ataque que matou 175 estudantes em escola no Irã e amplia a pressão internacional sobre Washington
247 - Uma postagem publicada nesta sexta-feira (13) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou forte repercussão internacional ao celebrar ações militares contra o Irã. Em mensagem divulgada publicamente, Trump afirmou que considera uma “grande honra” matar iranianos, em meio à escalada do conflito e após um bombardeio que matou 175 meninas em uma escola na cidade iraniana de Minab.
A declaração ocorreu dias depois de a agência Reuters revelar detalhes sobre o ataque que atingiu a escola. Segundo a reportagem, divulgada na quarta-feira (11), duas fontes familiarizadas com a investigação indicaram que o bombardeio pode ter sido resultado do uso de dados de mira desatualizados por forças norte-americanas durante uma ofensiva conjunta lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Na postagem desta sexta-feira, Trump afirmou que seu governo estaria “destruindo totalmente o regime terrorista do Irã, militarmente, economicamente e de todas as outras formas”. O presidente dos Estados Unidos também atacou a cobertura do jornal The New York Times e declarou: “Eles [Irã] vêm matando pessoas inocentes em todo o mundo há 47 anos, e agora eu, como o 47º presidente dos Estados Unidos da América, estou matando-os. Que grande honra é fazer isso!”.
O ataque à escola em Minab, que matou 175 crianças, passou a ser investigado internamente pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, avaliações preliminares já haviam indicado anteriormente que militares norte-americanos provavelmente foram responsáveis pelo bombardeio. As novas informações divulgadas pela agência apontam para uma possível falha de inteligência na preparação do alvo.
Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, sob condição de anonimato, autoridades encarregadas de preparar os pacotes de ataque teriam utilizado informações antigas para definir o alvo da operação. A segunda fonte afirmou que “parece ter sido usada inteligência desatualizada”, reforçando a hipótese de erro operacional. Ainda não está claro há quanto tempo os dados utilizados estavam desatualizados, como acabaram sendo empregados na operação ou se outros fatores também contribuíram para o ataque.
O Pentágono limitou-se a afirmar que “o incidente está sob investigação”, sem comentar detalhes adicionais. A apuração, de acordo com a Reuters, continua em andamento e ainda não há prazo definido para a conclusão.
Registros arquivados do site oficial da escola indicam que o estabelecimento educacional ficava próximo a um complexo operado pela Guarda Revolucionária Islâmica, força militar ligada ao líder supremo do Irã. Esse elemento aparece como um fator relevante para compreender a possível confusão que levou ao bombardeio do local.
Especialistas consultados pela Reuters também analisaram um vídeo que, segundo a agência, parece mostrar um míssil Tomahawk dos Estados Unidos atingindo a área. Apesar disso, as circunstâncias exatas do ataque ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades norte-americanas.
Após a divulgação da reportagem indicando que os Estados Unidos provavelmente foram responsáveis pelo bombardeio, Trump passou a ser questionado publicamente sobre o episódio. Em um primeiro momento, o presidente dos Estados Unidos afirmou, sem apresentar provas, que o Irã teria sido responsável pela explosão. Posteriormente, recuou parcialmente dessa afirmação.
As imagens do funeral das estudantes, exibidas pela televisão estatal iraniana na semana passada, ampliaram a comoção no país. Pequenos caixões cobertos com bandeiras iranianas foram transportados em um caminhão e depois levados por uma multidão até o local do enterro.
As cenas tiveram forte impacto simbólico e aumentaram a pressão internacional para que o episódio seja esclarecido de forma completa. A morte de crianças em uma escola, especialmente em um contexto de guerra aberta, tende a se tornar um dos pontos mais sensíveis de qualquer conflito, tanto no campo jurídico quanto no político.


