Banco Central Europeu sinaliza alta de juros diante da pressão do petróleo
Autoridade monetária pode elevar juros em junho se energia e guerra no Irã não tiverem melhora
247 - O Banco Central Europeu passou a indicar uma possível elevação dos juros já em junho, caso não haja alívio nos preços da energia nem avanços para encerrar a guerra no Irã, em um cenário que amplia as preocupações com inflação e atividade econômica na zona do euro.
As informações foram publicadas originalmente pela Bloomberg. A presidente do BCE, Christine Lagarde, sinalizou que a instituição discutiu, mas rejeitou, uma alta de juros nesta semana, deixando aberta a possibilidade de uma mudança de rota no próximo mês.
O quadro global mostra bancos centrais mais cautelosos diante do choque provocado pelo conflito no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas inalteradas, mas a decisão expôs uma divisão crescente entre seus dirigentes sobre os rumos da política monetária em meio ao aumento da incerteza internacional.
No Reino Unido, o Banco da Inglaterra também decidiu manter os juros, embora alguns integrantes tenham indicado que poderão considerar aumentos no futuro. A pressão vem principalmente da disparada do petróleo, que se aproximou do cenário mais pessimista traçado pela autoridade monetária britânica para a economia.
No Japão, o Banco do Japão deixou os custos de empréstimos inalterados. O presidente da instituição, Kazuo Ueda, indicou menor confiança no cenário econômico, mas manteve aberta a possibilidade de uma decisão sobre juros em junho, mesmo que a economia comece a mostrar sinais de desaceleração.
Além de Fed, BCE, Banco da Inglaterra e Banco do Japão, autoridades monetárias de Canadá, Chile, Hungria, Tailândia, Namíbia, Guatemala, Ucrânia, Malawi, República Dominicana, Colômbia e Uzbequistão também mantiveram os juros. Paquistão e Botsuana elevaram os custos de empréstimos.
EUA crescem com impulso da inteligência artificial
A economia dos Estados Unidos acelerou no início do ano, sustentada por um forte avanço dos investimentos empresariais ligados à inteligência artificial. O Produto Interno Bruto ajustado pela inflação cresceu a uma taxa anualizada de 2% no primeiro trimestre.
Os gastos das empresas com equipamentos e estruturas avançaram 10,4%, no ritmo mais forte em quase três anos. O movimento foi impulsionado pela rápida expansão dos investimentos em infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Outro dado relevante veio do mercado de trabalho. Os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram para o menor patamar em décadas, sinal de que as demissões permanecem limitadas na maior economia do mundo.
Zona do euro desacelera e teme estagflação
Na zona do euro, o cenário é mais delicado. A economia do bloco desacelerou de forma inesperada no início de 2026, enquanto a alta dos custos de energia associada à guerra no Irã aumentou o risco de estagflação nos próximos meses.
O PIB da região cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores. Ao mesmo tempo, empresas do bloco passaram a projetar aumentos mais elevados nos preços de venda e nos custos de insumos.
Segundo a pesquisa mais recente do BCE sobre acesso das empresas ao financiamento, conhecida como SAFE, as companhias esperam elevar seus preços de venda em 3,5% nos próximos 12 meses. Na rodada anterior, a previsão era de 2,9%, avanço classificado pelo BCE como significativo.
Ásia sente choque, mas tecnologia sustenta Taiwan
Na Ásia, Taiwan registrou o maior crescimento econômico desde 1987, apesar das perturbações causadas pela guerra no Irã. A ilha continuou a se beneficiar da demanda por produtos tecnológicos usados na expansão da computação ligada à inteligência artificial.
Na China, os lucros das empresas industriais cresceram em ritmo mais acelerado ao fim do primeiro trimestre. O resultado, no entanto, escondeu uma divisão crescente entre companhias pressionadas por custos mais altos e outras favorecidas pela alta do petróleo e pelo boom global da inteligência artificial.
Hong Kong registrou o maior déficit comercial em pelo menos 74 anos, com forte alta das importações. O movimento foi associado aos efeitos indiretos das interrupções provocadas pela guerra no Oriente Médio e ao ciclo global de investimentos em inteligência artificial, que elevou a demanda por produtos tecnológicos.
A liderança chinesa prometeu enfrentar choques externos e reforçar a segurança energética, ao mesmo tempo em que destacou um crescimento melhor que o esperado no ano. A mensagem do Politburo foi uma das admissões mais diretas dos riscos impostos à China por uma guerra que já chega ao terceiro mês.
México recua e bancos centrais agem com cautela
Na América Latina, o México teve retração econômica no primeiro trimestre, a maior em mais de um ano. O resultado representou novo revés para a presidente Claudia Sheinbaum, apesar dos esforços de seu governo para estimular investimentos locais e estrangeiros.
A conjuntura regional também foi marcada por decisões cautelosas de política monetária, em meio ao impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia e à preocupação com pressões inflacionárias persistentes.
Investidores voltam a buscar risco
Nos mercados financeiros, investidores voltaram a comprar ativos de maior risco após a queda inicial causada pela guerra. O índice MSCI Frontier Markets, que reúne ações de mercados de fronteira, subiu cerca de 10% em dólares em abril, no melhor desempenho mensal desde 2009.


