Casa Branca ataca ex-diretor de inteligência que criticou ofensiva dos EUA contra o Irã
Joe Kent renunciou ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo: “não posso apoiar a guerra. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente"
247 - A Casa Branca reagiu com críticas contundentes às declarações de Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, que deixou o cargo após contestar a ofensiva militar contra o Irã. A resposta foi liderada pela secretária de imprensa Karoline Leavitt, que buscou desqualificar as alegações do ex-dirigente sobre a inexistência de uma ameaça iminente.
Segundo Leavitt, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou a decisão com base em informações consideradas consistentes e provenientes de múltiplas fontes. Em publicação na rede X, ela afirmou que Trump “tinha provas fortes e convincentes de que o Irã iria atacar os Estados Unidos primeiro”, acrescentando que as evidências “foram compiladas a partir de muitas fontes e fatores”.
Casa Branca reforça autoridade de Trump
A porta-voz também enfatizou que a definição de ameaças à segurança nacional cabe exclusivamente ao presidente. “O comandante-em-chefe determina o que constitui ou não uma ameaça, porque é ele quem está constitucionalmente habilitado para fazê-lo — e porque o povo americano confiou nele, e somente nele, para tomar tais decisões finais”, declarou.
A manifestação marca a primeira reação oficial do governo após a renúncia de Kent, que ocupava um posto estratégico na estrutura de segurança dos Estados Unidos.
Governo rejeita acusações de influência externa
Leavitt criticou diretamente as declarações de Kent de que a decisão de entrar em guerra teria sido influenciada por pressões externas, incluindo Israel. Para a porta-voz, a alegação é “absurda” e a sugestão de interferência estrangeira nas decisões de Trump seria “insultante e risível”.
Aliados do presidente também elevaram o tom contra o ex-diretor. O ex-diretor de comunicações da Casa Branca, Taylor Budowich, classificou Kent como “egomaníaco enlouquecido” e “perdedor”. Já a ativista Laura Loomer afirmou que vinha alertando sobre o ex-dirigente “há muito tempo”.
Carta de renúncia expõe críticas à guerra
Na carta em que anunciou sua saída, Joe Kent apresentou duras críticas à política externa adotada. Ele declarou: “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação”.
O ex-diretor também atribuiu a escalada militar a pressões externas. “É evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby norte-americano”, afirmou.
Kent ainda recordou posições defendidas por Trump em campanhas anteriores, sugerindo uma mudança de rumo na condução da política externa. “Até junho de 2025, o senhor compreendeu que as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que roubava aos Estados Unidos as preciosas vidas dos nossos patriotas e esgotava a riqueza e a prosperidade da nossa nação”.
Acusações de desinformação e paralelo com o Iraque
Outro ponto central da carta foi a denúncia de uma suposta campanha de desinformação. “Altos funcionários israelenses e membros influentes dos media americanos lançaram uma campanha de desinformação que minou completamente a sua plataforma ‘América Primeiro’”, escreveu.
Segundo Kent, essa narrativa teria induzido o governo ao erro. “Essa câmara de eco foi usada para lhe enganar, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente (...) Isso era mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque”.
Experiência militar e apelo ao presidente
O ex-diretor também mencionou sua trajetória militar e perdas pessoais. “Como veterano de guerra que foi enviado para combate 11 vezes (...) não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer numa guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”, afirmou.
Ao concluir, Kent fez um apelo direto ao presidente dos Estados Unidos: “O senhor pode reverter o curso e traçar um novo caminho para a nossa nação, ou pode permitir que deslizemos ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão nas suas mãos”.
A renúncia passou a valer na terça-feira e ampliou o debate dentro do governo e entre aliados sobre a condução da política externa dos Estados Unidos em relação ao Irã.


