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Chances de paralisação do governo dos EUA aumentam após impasse no Senado

Negociação de financiamento enfrenta resistência entre senadores e prazo expira à meia-noite, elevando o risco de shutdown parcial em Washington

O Capitólio dos EUA em Washington, EUA 10 de setembro de 2020 REUTERS/Joshua Roberts (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)

247 - As chances de uma paralisação parcial do governo dos Estados Unidos aumentaram nesta sexta-feira (30) após o surgimento de novos obstáculos no Senado a um acordo que buscava garantir a continuidade do financiamento das agências federais. A dificuldade em avançar com a proposta elevou a tensão em Washington às vésperas do prazo final, que expira à meia-noite, colocando em risco o funcionamento regular de setores essenciais da administração pública. A informação foi divulgada pela agência Reuters.

O acordo havia sido anunciado por senadores democratas em conjunto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e permitiria ao Congresso aprovar um projeto de gastos abrangente, cobrindo desde as Forças Armadas até programas de saúde, enquanto prosseguiam as negociações sobre novos limites às medidas de repressão migratória promovidas pela Casa Branca, segundo a Reuters.

Apesar do anúncio, a tramitação do texto foi interrompida na noite de quinta-feira, quando alguns parlamentares manifestaram objeções ao entendimento costurado entre as lideranças. O Senado estava previsto para retomar os trabalhos às 11h no horário local, mas o impasse permaneceu em meio à contagem regressiva para o vencimento do atual orçamento.

Mesmo que o Senado consiga aprovar o acordo, o texto ainda precisaria do aval da Câmara dos Representantes, controlada pelo Partido Republicano, que está em recesso nesta semana. O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou na quinta-feira que seria difícil reconvocar os parlamentares a Washington a tempo de uma votação antes do prazo final.

A proposta em discussão prevê a separação do financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) do restante do pacote orçamentário. Com isso, o debate sobre a política de imigração não afetaria o funcionamento de órgãos como o Pentágono e o Departamento do Trabalho.

Senadores democratas passaram a ameaçar bloquear o pacote de financiamento após a morte a tiros de um segundo cidadão norte-americano durante uma ação de agentes de imigração, ocorrida no último fim de semana em Minneapolis. O episódio aumentou a pressão sobre o governo Trump para restringir a atuação do DHS, responsável pela fiscalização migratória federal.

Os democratas defendem a imposição de novas limitações aos agentes de imigração, incluindo o fim de patrulhas móveis, a proibição do uso de máscaras faciais e a exigência do uso de câmeras corporais durante as operações. Pelo acordo em negociação, o financiamento do DHS seria prorrogado por apenas duas semanas, abrindo espaço para um entendimento mais amplo sobre as táticas de fiscalização migratória.

A morte da enfermeira Alex Pretti, baleada por agentes federais no sábado, provocou forte reação pública e levou o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reduzir a intensidade das operações na região. O caso foi o segundo, neste mês, envolvendo a morte de um cidadão norte-americano sem antecedentes criminais em ações relacionadas à aplicação das leis de imigração.

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