China pede manutenção de cessar-fogo e coloca Estreito de Ormuz no centro da agenda com Trump
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz é a maior preocupação imediata de Pequim
247 - O embaixador da China nas Nações Unidas, Fu Cong, classificou como "crucial" a preservação do cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em um movimento que sinaliza a urgência diplomática, o diplomata indicou que a estabilidade das rotas marítimas, especificamente o Estreito de Ormuz, será um dos temas prioritários na pauta do encontro entre o presidente Donald Trump e a liderança chinesa, previsto para o final deste mês.
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo — é a maior preocupação imediata de Pequim. Caso a via permaneça fechada ou sob ameaça durante a visita de Trump, a China, que é a maior importadora de petróleo do mundo, deve elevar o tom nas negociações.
Especialistas apontam que o fechamento do estreito não é apenas uma questão logística, mas um gatilho para uma crise inflacionária global que poderia desestabilizar a economia global, com reflexos na economia chinesa.
A declaração de Fu Cong ocorre em um momento de extrema sensibilidade. Enquanto os EUA mantêm apoio estratégico a Israel, a China mantém boas relações com Teerã. "A manutenção do cessar-fogo não é apenas uma necessidade humanitária, mas um imperativo para a segurança econômica global", afirmou o embaixador. A fala sugere que a China pretende usar sua posição de maior parceiro comercial da região para exigir garantias de que o conflito não escale para uma guerra de atrito que comprometa o fornecimento de energia.
A visita de Donald Trump à China já era cercada de expectativas devido às disputas tarifárias e tecnológicas. No entanto, o agravamento da crise no Golfo Pérsico altera a dinâmica do encontro.


