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CIA prepara denúncia contra Tucker Carlson após contatos com iranianos

Glenn Greenwald afirma que agência de inteligência dos EUA teria enviado caso ao Departamento de Justiça por supostas conversas com autoridades do Irã

Tucker Carlson com Donald Trump durante um evento de campanha em Duluth, Geórgia, em 23 de outubro de 2024. (Foto: Carlos Barría/Reuters)

247 - Uma possível investigação envolvendo o jornalista norte-americano Tucker Carlson ganhou repercussão após relatos de que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) estaria preparando um encaminhamento criminal contra ele ao Departamento de Justiça. A informação surgiu após Carlson afirmar que manteve conversas com autoridades iranianas antes do início de uma guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel.

A denúncia foi relatada pelo jornalista Glenn Greenwald em artigo publicado em 15 de março. No texto, ele afirma que Carlson teria recebido informações de fontes próximas ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a CIA estaria elaborando um relatório sobre supostos crimes relacionados a contatos que o apresentador teria mantido com autoridades no Irã antes da escalada militar.

Segundo Greenwald, o próprio Carlson lhe contou sobre o caso antes de uma entrevista gravada para o programa do jornalista. O comentarista relatou ter sido informado por fontes de alto nível de que a CIA preparava um encaminhamento formal à Justiça para investigar conversas que ele teria tido com representantes iranianos antes do início do conflito.

A implicação levantada, segundo o relato, seria a de que Carlson poderia ter cometido atos considerados subversivos ou até traição ao manter diálogo com interlocutores de um país que posteriormente se tornou alvo de ação militar.

Greenwald afirmou não ter motivos para duvidar da veracidade do que lhe foi dito pelo apresentador. No artigo, ele diz conhecer Carlson há muitos anos e afirma nunca ter sido enganado por ele. Também recorda que, no passado, fez críticas públicas ao jornalista durante o período da chamada “guerra ao terror” e por posições que Carlson adotou à época.

O articulista sustenta que, ao longo dos últimos anos, Carlson teria revisado muitas de suas posições políticas e passado a adotar uma visão mais crítica sobre intervenções militares dos Estados Unidos, incluindo a guerra do Iraque.

Apesar da gravidade das alegações, Greenwald afirma que inicialmente considerou improvável que um jornalista de grande projeção pudesse ser investigado criminalmente apenas por realizar contatos com fontes estrangeiras no contexto de uma cobertura jornalística.

No entanto, segundo ele, a situação ganhou nova dimensão após uma onda de críticas e pressões públicas surgirem nas redes sociais e em círculos políticos, com vozes influentes defendendo a responsabilização de Carlson por suas ações.

Após a entrevista com Greenwald, Carlson publicou um vídeo de cerca de cinco minutos nas redes sociais no qual comenta o episódio. No material, ele afirma ter descoberto que mensagens privadas e comunicações pessoais estariam sendo analisadas por autoridades de inteligência.

No vídeo, Carlson afirma: “Quando você descobre que a CIA tem lido suas mensagens para tentar incriminá-lo por um crime.”

De acordo com o jornalista, as conversas que teriam sido usadas como base para o relatório envolveriam diálogos que ele manteve com pessoas dentro do Irã no contexto de sua atividade jornalística.

Carlson também levantou a hipótese de que as comunicações tenham sido obtidas por meio de vigilância eletrônica conduzida por agências de inteligência dos Estados Unidos ou por serviços de espionagem aliados.

Greenwald lembra que episódios de monitoramento envolvendo o jornalista já teriam ocorrido anteriormente. Em ocasiões passadas, comunicações ligadas a tentativas de Carlson de entrevistar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, também teriam sido interceptadas por serviços de inteligência norte-americanos.

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