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Clérigos pressionam por escolha rápida de novo líder supremo do Irã

Autoridades religiosas pedem que Assembleia dos Especialistas acelere sucessão após morte de Ali Khamenei em meio a tensões regionais e ataques recentes

Pessoas marcham após o assassinato do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques israelenses e americanos, em Basra, Iraque, 1º de março de 2026 (Foto: REUTERS/Mohammed Aty)

247 - Importantes líderes religiosos iranianos passaram a defender publicamente que a escolha de um novo Líder Supremo do país ocorra com rapidez, uma semana após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei. A pressão ocorre em meio a um cenário de instabilidade política e militar no país, agravado por recentes ataques e tensões regionais, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.

Entre os que se manifestaram está o aiatolá Nasser Makarem Shirazi, que pediu à Assembleia dos Especialistas — órgão responsável por eleger o Líder Supremo — que conduza o processo de sucessão com urgência. Em comunicado divulgado neste sábado (7), o religioso afirmou: “A realização oportuna desta importante questão levará à autoridade nacional e à melhor organização possível dos assuntos".

O apelo foi reforçado por outros clérigos influentes. De acordo com a agência estatal iraniana IRNA, o aiatolá Nouri Hamedani também destacou a necessidade de acelerar a eleição da nova liderança religiosa e política do país. Já o aiatolá Abdolkarim Abedini advertiu sobre as consequências de eventuais atrasos no processo.

“Qualquer falha na escolha do líder será atribuída a todos os envolvidos”, afirmou Abedini. Ele, no entanto, não integra formalmente a Assembleia dos Especialistas.

A pressão por rapidez na sucessão também veio de figuras públicas ligadas ao establishment político iraniano. Na sexta-feira (6), Jamileh Alamolhoda, viúva do ex-presidente do Irã Ebrahim Raisi, pediu que a Assembleia dos Especialistas “identifique e selecione prontamente um novo líder, (e) bloqueie o caminho da discórdia e da divisão”.

O processo de escolha ocorre em um momento delicado. Ainda não está claro se os membros da Assembleia — composta por 88 clérigos — conseguiram se reunir desde que ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel começaram há cerca de uma semana.

A situação logística também foi afetada por danos estruturais. O prédio da Assembleia na cidade de Qom sofreu grandes avarias após bombardeios ocorridos na semana passada.

Entre os possíveis sucessores, analistas apontam Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, como um dos nomes mais citados para assumir o posto. Apesar disso, ele não se pronunciou publicamente desde a morte do pai.

A sucessão ocorre sob forte pressão externa. Israel afirmou que poderá considerar como alvo qualquer futuro líder iraniano que, segundo autoridades israelenses, continue políticas hostis ao país. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, escreveu na rede social X que qualquer dirigente escolhido pelo regime iraniano para “liderar o plano de destruir Israel… e reprimir o povo iraniano — será um alvo para eliminação”.

Enquanto o novo Líder Supremo não é escolhido, o governo iraniano está sendo conduzido por um conselho temporário formado por três integrantes: o presidente do país, o chefe do Judiciário e um clérigo indicado pela Assembleia dos Especialistas. O grupo exerce a condução diária dos assuntos de Estado até a definição do novo líder religioso e político da República Islâmica.

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