Colisão entre trens de alta velocidade na Espanha deixa ao menos 21 mortos, diz polícia
O acidente ocorreu perto de Adamuz, na província de Córdoba
Reuters – Um trem de alta velocidade descarrilou e colidiu com outro que vinha em sentido contrário no sul da Espanha neste domingo, empurrando o segundo trem para fora dos trilhos em uma colisão que, segundo fontes policiais confirmaram à Reuters, deixou pelo menos 21 mortos.
O acidente ocorreu perto de Adamuz, na província de Córdoba. Até o momento, 21 mortes foram confirmadas pela polícia, enquanto a emissora estatal Televisión Española informou que 100 pessoas ficaram feridas, 25 delas em estado grave. O motorista de um dos trens, que viajava de Madri para Huelva, está entre os mortos, acrescentou a emissora.
"O trem Iryo 6189 Málaga–(com destino a Madri) descarrilou dos trilhos em Adamuz, invadindo a via adjacente. O trem (Madri)–Huelva, que trafegava na linha ao lado, também descarrilou", afirmou a Adif, empresa que administra a rede ferroviária, em uma publicação nas redes sociais.
A Adif informou que o acidente aconteceu às 18h40 (17h40 GMT), cerca de 10 minutos após o trem da Iryo ter deixado Córdoba em direção a Madri.
A Iryo é uma operadora ferroviária privada, controlada majoritariamente pelo grupo ferroviário estatal italiano Ferrovie dello Stato. O trem envolvido era um Freccia 1000, que fazia o trajeto entre Málaga e Madri, disse um porta-voz da Ferrovie dello Stato.
A empresa declarou, em nota, que lamenta profundamente o ocorrido e que ativou todos os protocolos de emergência para trabalhar em estreita colaboração com as autoridades competentes na gestão da situação.
O segundo trem era operado pela Renfe, que também não respondeu a um pedido de comentário.
A Adif suspendeu todos os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia.
O trem da Iryo transportava mais de 300 passageiros, enquanto o trem da Renfe levava cerca de 100 pessoas.
Paco Carmona, chefe do Corpo de Bombeiros de Córdoba, disse à TVE que o primeiro trem, que seguia de Málaga para Madri, havia sido evacuado.
Segundo ele, os vagões do outro trem ficaram gravemente danificados, com metal retorcido e assentos destruídos. "Ainda há pessoas presas. Não sabemos quantas morreram e a operação está concentrada em retirar pessoas de áreas muito estreitas", afirmou. "Temos de remover os corpos para alcançar quem ainda estiver vivo. Está sendo uma tarefa complicada."
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que acompanha os acontecimentos a partir da sede da operadora ferroviária Adif, em Madri.
"As informações mais recentes são muito graves", escreveu ele no X. "O impacto foi terrível, fazendo com que os dois primeiros vagões do trem da Renfe fossem lançados para fora dos trilhos. O número de vítimas não pode ser confirmado neste momento. O mais importante agora é ajudar as vítimas."
O prefeito de Adamuz, Rafael Moreno, disse ao jornal El País que esteve entre os primeiros a chegar ao local do acidente, ao lado da polícia local, e viu o que acreditava ser um corpo gravemente dilacerado a vários metros do ponto do impacto.
"A cena é horrível", disse ele. "Não acho que estivessem na mesma linha, mas não está claro. Agora os prefeitos e moradores da região estão focados em ajudar os passageiros."
Chamados por socorro médico
Imagens exibidas pela televisão local mostraram um centro de acolhimento montado para os passageiros na cidade de Adamuz, com cerca de 5.000 habitantes, onde moradores iam e vinham levando comida e cobertores, em meio a temperaturas noturnas em torno de 42 graus Fahrenheit (6 graus Celsius).
Uma mulher chamada Carmen publicou no X que estava a bordo do trem da Iryo com destino a Madri. "Dez minutos após a partida (de Córdoba), o trem começou a sacudir muito e descarrilou a partir do vagão 6 atrás de nós. As luzes se apagaram."
Imagens publicadas por outro passageiro do trem da Iryo, também no X, mostraram um funcionário da empresa, com colete fluorescente, instruindo os passageiros a permanecerem sentados nos vagões escurecidos e pedindo que aqueles com treinamento em primeiros socorros cuidassem dos demais. Ele também pediu que as pessoas economizassem a bateria dos celulares para poder usar as lanternas ao desembarcarem.
Salvador Jiménez, jornalista da RTVE que estava a bordo do trem da Iryo, compartilhou imagens que mostram a frente do último vagão deitado de lado, com passageiros evacuados sentados na lateral do vagão voltada para cima.
Jiménez disse à TVE, por telefone, ao lado dos trens acidentados, que os passageiros usaram martelos de emergência para quebrar as janelas e sair, e que viram duas pessoas serem retiradas dos vagões tombados em macas.
"Há uma certa incerteza sobre quando chegaremos a Madri, onde passaremos a noite, ainda não recebemos nenhuma mensagem da empresa ferroviária", disse ele. "Está muito frio, mas estamos aqui."

