Comando Central confirma uso de bomba de penetração dos EUA contra o Irã
Forças dos Estados Unidos usaram bombas contra baterias de mísseis antinavio iranianos no Estreito de Ormuz, rota de 20% do petróleo mundial
247 - Em suas novas agressões contra o Irã, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (17) que usou bombas de penetração profunda contra baterias anti-embarcações do país asiático ao longo do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo vendido globalmente, muito usada pelos países integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait. A passagem fica entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
Segundo comunicado emitido pelo Comando Central, forças estadunidenses “empregaram com sucesso múltiplas munições de penetração profunda de 5.000 libras [cerca de 2.300 kg] contra posições fortificadas de mísseis iranianos ao longo da costa do Irã, perto do Estreito de Ormuz”. “Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nessas posições representavam um risco para a navegação internacional no estreito". O relato foi divulgado no Portal G1.
Bombas de penetração profunda são usadas para destruir alvos mesmo que eles estão enterrados a metros de profundidade no solo. Esse tipo de bomba é tão pesada que é lançada apenas pelo avião bombardeiro.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos lançaram ofensiva militar contra o Irã, justificando a ação com a alegação de que o governo iraniano estaria avançando no desenvolvimento de armamentos nucleares. A acusação, porém, foi refutada pela ONU, que negou que o país asiático nutrisse tal intenção. Desde então, mais de 2 mil pessoas morreram no Irã e em diferentes países próximos, na região do Oriente Médio.
Poderio militar do Irã
O portal internacional Global Fire Power, responsável por elaborar anualmente um ranking comparativo das forças armadas mundiais, posiciona o Irã entre as nações militarmente mais poderosas do planeta — dado que adquire novo peso diante dos ataques desferidos por Estados Unidos e Israel contra o país asiático no último fim de semana.
Na edição de 2025 do levantamento, 145 nações foram avaliadas com base em mais de 60 indicadores, abrangendo capacidade aérea, terrestre e naval, estrutura logística e tamanho do efetivo. Os Estados Unidos ocupam o topo da classificação, posição que mantinham até o ano passado. O Irã figura na 16ª posição.
O contingente militar iraniano é robusto: 610 mil soldados em serviço ativo, 350 mil reservistas e aproximadamente 220 mil integrantes de forças paramilitares operando em território nacional, o que amplia consideravelmente o potencial de mobilização em um eventual conflito de longa duração.
Em termos de equipamentos, o arsenal do Exército iraniano inclui 227 tanques de guerra, 778 aeronaves e 97 embarcações. Nos últimos anos, o país também tem concentrado esforços na expansão de sua frota de veículos aéreos não tripulados, chegando a 3.894 drones com capacidade tanto de vigilância quanto de emprego ofensivo.
Valores do petróleo e o decreto do governo
Novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos empurraram os preços do petróleo para uma alta de mais de 3% nesta terça-feira, intensificando o temor de que o fornecimento global seja comprometido caso o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã — já em sua terceira semana — não encontre saída diplomática em curto prazo.
Nas bolsas internacionais, o barril do Brent encerrou o dia a US$ 103,42, após valorização de US$ 3,21, o equivalente a 3,2%. O WTI (West Texas Intermediate), utilizado como referência no mercado norte-americano, fechou a US$ 96,21, com ganho de US$ 2,71, ou 2,9%.
No plano doméstico, o presidente Lula assinou, no último dia 12, um decreto que eliminou as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização do diesel. Paralelamente, uma medida provisória foi editada para viabilizar a concessão de subsídios ao combustível destinados a produtores e importadores.
As duas iniciativas têm prazo determinado — valem até 31 de dezembro — e foram adotadas em resposta à disparada do petróleo provocada pela guerra no Irã, que tem levado diversas nações a recorrer às suas reservas estratégicas. A desoneração tributária deve provocar uma queda de R$ 0,32 por litro nas refinarias, ao passo que o subsídio ao setor produtivo e importador deve gerar redução equivalente. O Ministério da Fazenda estima que, combinadas, as duas medidas possam diminuir o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro.
Para ter acesso ao subsídio, as empresas deverão comprovar que o benefício foi efetivamente repassado ao consumidor final. Com o objetivo de compensar a queda na arrecadação e incentivar o refino no território nacional, o governo fixou ainda uma alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo.


