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Conselho de Segurança da ONU discute agressão dos EUA à Venezuela e sequestro de Maduro

Reunião de emergência avalia ação militar na Venezuela e alerta para riscos de instabilidade regional

Reunião do Conselho de Segurança da ONU (Foto: Nações Unidas)

247 - O Conselho de Segurança das Nações Unidas realiza nesta segunda-feira (5) uma sessão de emergência para discutir a legalidade dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A reunião ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas e militares na região, com repercussões diretas sobre a estabilidade política do país sul-americano.

Na abertura do encontro, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, manifestou preocupação com o cenário venezuelano. “O futuro da Venezuela é incerto”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eu estou preocupada pela intensificação da instabilidade no país” e ressaltou que, apesar do quadro atual, “o futuro da Venezuela é incerto, mas ainda é possível evitar uma tragédia maior”.

A sessão foi convocada após um pedido formal apresentado pela Venezuela, diretamente afetada pela ação militar, e pela Colômbia, que passou a integrar o Conselho como membro não permanente e tem adotado posição crítica em relação aos ataques conduzidos pelos Estados Unidos. A reunião teve início às 12h (horário de Brasília).

China e Rússia, aliados históricos do governo venezuelano, criticaram duramente a ofensiva americana e devem manifestar apoio a Caracas durante os debates. Já países parceiros de Washington demonstraram preocupação com a escalada do conflito, mas adotam uma postura mais cautelosa no âmbito diplomático.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o ataque dos Estados Unidos como um precedente perigoso. Em comunicado divulgado pela porta-voz da organização, Stéphane Dujarric, Guterres afirmou estar “profundamente alarmado com a recente escalada na Venezuela, que culminou na ação militar dos EUA no país hoje, a qual tem potenciais implicações preocupantes para a região”. Segundo a nota, “independentemente da situação na Venezuela, esses acontecimentos constituem um precedente perigoso”, e o secretário-geral reforçou “a importância do pleno respeito —por todos— ao direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas”.

Embora o Brasil não seja membro permanente do Conselho de Segurança, há expectativa de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestasse na sessão. As normas da ONU permitem que países não integrantes do colegiado façam pronunciamentos, desde que solicitem formalmente. Após os ataques, Lula criticou a ação americana e afirmou que a ofensiva ultrapassa uma “linha inaceitável”.

A Colômbia, que integra o Conselho de Segurança como membro não permanente, também entrou no centro das tensões após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No domingo (4), Trump afirmou que “gosta da ideia de uma operação militar contra a Colômbia”. A bordo do Air Force One, o avião presidencial, ele declarou a repórteres: “A Colômbia é governada por um homem doente, que gosta de produzir e enviar cocaína aos Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito mais tempo”, em referência ao presidente colombiano Gustavo Petro.

No âmbito regional, uma reunião realizada no domingo pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) terminou sem consenso e sem a divulgação de um comunicado conjunto. O encontro evidenciou divisões internas na organização, com países que apoiam abertamente a ação militar ordenada por Donald Trump, como a Argentina governada por Javier Milei, e outros que defendem a libertação de Maduro.

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