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Crise no Estreito de Ormuz muda o comércio global

Guerra iniciada por Trump aumenta o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, trava navios e impõe custos ao comércio internacional

Navios cargueiros no Golfo, próximos ao Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, perto da fronteira com a governadoria de Musandam, em Omã, em meio ao conflito dos EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos (Foto: Stringer/Reuters)

247 - A agressão militar dos Estados Unidos contra o Irã provocou uma ruptura significativa em um dos pilares históricos do comércio internacional: a liberdade de navegação em alto-mar, com impacto direto sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, segundo o Wall Street Journal.

O conflito transformou o estreito — um corredor marítimo de cerca de 48 quilômetros de largura — em um ponto de tensão que simboliza uma nova fase de instabilidade global, afetando diretamente fluxos comerciais que sustentam economias há mais de um século.

A situação se agravou com a permanência de mais de 700 embarcações na região, transportando cargas avaliadas em dezenas de bilhões de dólares. Tripulações, estimadas em cerca de 20 mil marinheiros, permanecem à espera de autorização para seguir viagem, enquanto tentam compreender regras que vêm sendo constantemente alteradas pelas autoridades iranianas.

Mesmo após o anúncio de cessar-fogo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a liberação da passagem foi condicionada à reabertura completa do estreito. Ainda assim, autoridades iranianas deixaram claro que pretendem definir quais navios poderão atravessar a região e sob quais condições, incluindo possíveis custos.

Na prática, o cenário criou uma espécie de sistema informal de cobrança, apelidado por operadores marítimos de “pedágio de Teerã”, indicando uma mudança no controle da rota estratégica. A presença da Marinha dos Estados Unidos na área não tem sido suficiente para garantir a livre circulação, evidenciando uma perda de influência na região considerada crucial para o abastecimento energético global.

Em meio à incerteza, capitães, armadores e gestores de navios têm recorrido a trocas de mensagens para tentar interpretar as exigências iranianas. Após dias de ataques com drones e mísseis sobre a área, a Marinha do Irã transmitiu um aviso por rádio às embarcações: “Se qualquer navio tentar transitar sem permissão, será destruído".

A nova dinâmica no estreito de Ormuz representa uma inflexão importante na ordem marítima internacional, elevando custos, riscos e incertezas para o comércio global e para a segurança das cadeias de abastecimento.

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