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Manifesto global denuncia política dos EUA e propõe seis condições para encerrar conflito com o Irã

Documento assinado por mais de 170 intelectuais acusa Washington de “império predatório” e defende ordem internacional baseada na soberania

Manifesto global denuncia política dos EUA e propõe seis condições para encerrar conflito com o Irã (Foto: REUTERS/Leonhard Foeger)

247 – Um amplo grupo internacional formado por acadêmicos, ex-funcionários da ONU, diplomatas, políticos, intelectuais e ativistas de mais de 30 países divulgou um manifesto intitulado “Uma declaração à consciência da humanidade”, no qual apresenta duras críticas à política externa dos Estados Unidos e estabelece seis condições consideradas “inegociáveis” para o fim da guerra contra o Irã. O documento reúne mais de 170 signatários e denuncia o que classifica como um sistema global de dominação baseado na força militar e na exploração de recursos.

A iniciativa foi tornada pública por uma coalizão transnacional que inclui nomes de peso do pensamento crítico global, como o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o jurista internacional Richard Falk, o ex-vice-secretário-geral da ONU Denis Halliday, o cientista político Norman Finkelstein, o historiador Avi Shlaim e o intelectual indiano Vijay Prashad, entre outros. O grupo reúne representantes da Europa, América Latina, África, Ásia e América do Norte.

Segundo o texto, a carta surge como resposta à escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã, em um momento que os autores classificam como um “ponto de virada histórico” para a humanidade. O manifesto convoca a comunidade internacional a reagir diante do que considera uma ameaça crescente à ordem baseada no direito internacional.

Crítica histórica e acusação de imperialismo

O documento apresenta uma leitura profundamente crítica da trajetória histórica dos Estados Unidos, afirmando que o país construiu, ao longo de sua existência, um padrão de intervenções militares, guerras e violações de direitos humanos.

Os signatários afirmam que Washington mantém mais de 800 bases militares espalhadas pelo mundo e sustenta uma lógica de dominação global. Conflitos como Vietnã, Iraque, Líbia, Síria e Afeganistão são citados como exemplos de ações responsáveis por destruição massiva e perda de milhões de vidas.

Em um dos trechos centrais, o manifesto define os Estados Unidos como “um império predatório erguido sobre os cadáveres de nações”, guiado pelo princípio de “tudo para nós, nada para os outros”, numa crítica direta à política de apropriação de recursos estratégicos globais.

Irã no centro da disputa geopolítica

O texto aponta que o atual foco das tensões internacionais recai sobre o Irã, descrito como um país estratégico por deter mais de 7% das riquezas minerais e energéticas do planeta.

Segundo os autores, o interesse dos Estados Unidos estaria ligado ao controle desses recursos, dentro de uma estratégia de “mudança de regime” que visa enfraquecer a soberania iraniana. O manifesto denuncia ainda ações militares, sanções e pressões políticas como parte de um projeto mais amplo de dominação.

O documento também faz duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que sua atuação simboliza o “colapso moral do Ocidente” e contribui para o agravamento dos conflitos internacionais.

Seis condições para o fim da guerra

Os signatários apresentam seis exigências consideradas essenciais para encerrar o conflito com o Irã e restabelecer um mínimo de estabilidade internacional:

  1.  Garantias internacionais vinculantes contra novas agressões 
  2.  Desmantelamento imediato das bases militares dos EUA na região 
  3.  Reconhecimento formal das agressões e reparação integral por danos humanos e materiais 
  4.  Fim imediato das guerras em todas as frentes regionais 
  5.  Criação de um novo regime jurídico para o Estreito de Ormuz, com reconhecimento da soberania iraniana 
  6.  Responsabilização e extradição de agentes midiáticos acusados de incitação à violência 

Chamado global contra a ordem vigente

Além das exigências, o manifesto faz um apelo direto a intelectuais, universidades, organizações e movimentos sociais para que condenem o que chama de “normalização das violações do direito internacional”.

Os autores defendem o isolamento diplomático e econômico dos Estados Unidos e o reconhecimento do direito do Irã à autodefesa. Também pedem mobilização global contra o que descrevem como um sistema internacional baseado na força e na desigualdade.

Um momento decisivo para a humanidade

Na conclusão, o documento afirma que o mundo vive um momento decisivo e convoca a sociedade global a assumir uma posição ativa.

Segundo os signatários, não se trata apenas de um conflito regional, mas de uma disputa entre modelos de organização internacional: de um lado, a lógica da dominação; de outro, a defesa da soberania, da justiça e do direito.

A carta encerra com um chamado enfático à ação coletiva, defendendo que a humanidade não pode permanecer como espectadora diante do avanço de práticas que considera incompatíveis com os princípios civilizatórios.

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