HOME > Mundo

Decisão de Trump de revogar base central da política climática dos EUA provoca reação global

Medida elimina regra criada em 2009, afeta política federal de emissões e deve gerar longa batalha jurídica

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou na quinta-feira (12) a legislação que sustentava o combate às emissões de gases de efeito estufa no país. A medida desmonta instrumentos centrais da política climática do país, considerado o maior emissor histórico desses gases. Durante o anúncio da ação na Casa Branca, Trump declarou: "Estamos oficialmente encerrando o que é conhecido como 'Constatação de Perigo'". As informações são da RFI.

A decisão encerra de forma imediata padrões de emissões aplicados a veículos e abre espaço para o cancelamento de outras normas ambientais, incluindo regras relacionadas a emissões de usinas de energia. Criada em 2009 pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), durante o governo Barack Obama, a legislação determinava que seis gases de efeito estufa representam risco à saúde pública. A partir dessa classificação, esses gases passaram a ser tratados como poluentes sujeitos à regulação federal, o que permitiu a criação de normas para limitar as emissões de veículos e outros setores.

Ambientalistas classificam revogação como ataque histórico

Representantes de entidades ambientais reagiram à decisão. Manish Bapna, presidente da organização NRDC, afirmou que a medida é "o maior ataque da história dos Estados Unidos" contra esforços federais de combate à crise climática. Dan Becker, do Centro para a Diversidade Biológica, declarou: "Trump está conduzindo o país por um caminho de petróleo sujo e ar poluído".

O governo estadunidense sustenta que a revogação pode reduzir preços de veículos novos e beneficiar o poder de compra da população. A administração federal também argumenta que gases de efeito estufa não devem ser tratados como poluentes tradicionais, alegando que seus efeitos na saúde são indiretos e globais. O governo também minimiza o impacto das atividades humanas nas mudanças climáticas.

Batalha judicial à vista

Organizações ambientais informaram que pretendem contestar a revogação na Justiça. O processo pode chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos. As entidades pretendem argumentar que uma decisão da própria Suprema Corte, em 2007, fundamentou a regulamentação climática federal que passou a ser aplicada a partir de 2009.

A decisão ocorre em um momento em que cientistas apontam que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta. Também ocorre em meio a registros de temperaturas globais recordes nos últimos três anos, com média de aumento de 1,5°C em relação ao período entre 1850 e 1900.

ONU alerta para nova era de desordem global

No cenário internacional, o secretário-executivo do braço climático da ONU, Simon Stiell, pediu "união" diante de riscos à cooperação global. Ele afirmou que o mundo vive "uma nova era de desordem global". Stiell também declarou que a próxima conferência climática da ONU, a COP31, ocorrerá em um contexto extraordinário. O evento será realizado em Antalya, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro, com negociações lideradas pela Austrália.

Artigos Relacionados