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Delcy Rodríguez afirma que "não se arrastará a Washington" e defende soberania venezuelana

Presidenta em exercício apresenta plano Reto Admirável 2026 e defende diplomacia firme diante da Assembleia Nacional

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas - 08/01/2026 (Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)

247 - A presidenta em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, apresentou nesta quinta-feira (15) seu relatório anual de gestão à Assembleia Nacional, com ênfase na preservação do poder nacional, na defesa da soberania e na continuidade do crescimento produtivo do país. O pronunciamento integrou a prestação de contas do Executivo referente ao ano de 2025 e foi realizado em nome do presidente Nicolás Maduro.

Em sua fala inicial, Rodríguez ressaltou que a defesa da independência venezuelana permanece como eixo central da atuação do governo. “Hoje podemos dizer que temos como objetivo, em juramento ao presidente e à primeira-dama, a preservação do poder nacional venezuelano. Que ninguém se equivoque”, afirmou diante dos parlamentares.

No início da sessão, em cumprimento ao artigo 237 da Constituição, a presidenta em exercício solicitou um minuto de aplausos em homenagem a jovens que morreram em combate no início de janeiro. “Honor e glória a nossos jovens humildes, venezuelanos e venezuelanas, que combateram na madrugada tão escura de 3 de janeiro de 2026. Abriram uma nova página em nossa história”, declarou.

Durante a cerimônia, Rodríguez também prestou homenagem à primeira combatente Cilia Flores, cuja cadeira no plenário foi ocupada simbolicamente por uma rosa vermelha. Ao mencionar a ausência da dirigente, destacou o sentimento de dor e compromisso com o país. “Esse dor profundo que sentimos quem ama nossa pátria, quem acredita profundamente em nossa soberania, em nossa independência e em quem ama nosso presidente e a primeira-dama… Esse dor o transformamos em trabalho incansável por eles”, disse.

A presidenta em exercício relatou ainda que trabalhou com Nicolás Maduro na elaboração do discurso até poucas horas antes de seu sequestro, evocando a postura do presidente diante das adversidades. “Bolívar, esse homem das dificuldades, sempre esteve em seu espírito, porque nos piores problemas que podiam se apresentar, sempre tinha um sorriso, o otimismo à frente e a crença profunda em Deus”, afirmou.

Ao abordar o cenário econômico, Rodríguez apresentou o plano Reto Admirável 2026, nomeado pelo presidente Maduro e inspirado na Campanha Admirável de Simón Bolívar. Segundo ela, o programa estabelece diretrizes claras para sustentar os níveis produtivos do país. “Traça linhas muito claras para manter os níveis produtivos de nossa pátria, que hoje alcançam 99% de abastecimento”, ressaltou.

De acordo com a presidenta em exercício, o plano busca consolidar o crescimento da agroindústria, da produção de vegetais, cereais, pesca e proteína animal, setor que superou 10% de participação no produto interno bruto. “Fizemos plano e temos plano para o ano de 2026. Que a esperança de nosso povo não seja apagada por nada nem por ninguém”, declarou.

Rodríguez lembrou que, antes dos acontecimentos de janeiro, o país enfrentou um bloqueio naval em dezembro, que afetou diretamente as exportações energéticas. Segundo ela, a medida buscou limitar a capacidade da Venezuela de comercializar livremente seus produtos no mercado internacional.

No campo diplomático, a presidenta em exercício reafirmou o direito da Venezuela de manter relações com todos os países, incluindo os Estados Unidos. “Há uma mancha nas relações entre Venezuela e Estados Unidos, mas vamos resolvê-la cara a cara com nossa diplomacia”, afirmou. Em tom enfático, defendeu a união dos venezuelanos na defesa da soberania nacional. “Independentemente das tendências políticas, devemos ir juntos defender nossa soberania e a paz da República”, disse, antes de concluir: “Se me tocasse ir a Washington, irei de pé, não me arrastando”.

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