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Democratas criticam ‘contradições’ de Trump sobre guerra contra o Irã

Parlamentares dizem que governo não explica objetivos da guerra e criticam mudanças constantes de versões

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na Casa Branca (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos intensificaram as críticas à condução da guerra contra o Irã pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Senadores afirmam que o governo tem apresentado justificativas pouco claras e mensagens contraditórias sobre os objetivos da guerra realizada em conjunto com Israel contra o país persa.

De acordo com informações divulgadas pela Telesur, as críticas foram feitas após uma reunião confidencial com representantes do governo norte-americano para discutir o andamento das operações militares. Legisladores disseram sair do encontro frustrados e preocupados com a falta de explicações detalhadas sobre os rumos da guerra.

O senador Richard Blumenthal, representante democrata pelo estado de Connecticut, afirmou ter deixado a reunião profundamente insatisfeito. “Saio desta reunião tão insatisfeito e irritado, francamente, como nunca estive em meus 15 anos de experiência”, declarou após o encontro realizado na terça-feira (10), diante do Comitê de Serviços Armados do Senado.

Blumenthal também demonstrou preocupação com a possibilidade de uma escalada militar mais ampla no Oriente Médio. “Parece que estamos no caminho para enviar tropas americanas para o solo iraniano”, lamentou o parlamentar ao comentar a estratégia discutida a portas fechadas.

As declarações refletem uma crescente onda de críticas entre democratas no Congresso, 11 dias após o início dos bombardeios contra o Irã. O grupo questiona a falta de transparência da administração Trump sobre as justificativas da guerra e seus objetivos estratégicos.

A senadora Elizabeth Warren, do estado de Massachusetts, também criticou a postura do governo. Segundo ela, a administração Trump “não pode explicar as razões pelas quais entramos nesta guerra, os objetivos que estamos tentando alcançar e os métodos para fazê-lo”.

Warren ainda destacou o impacto financeiro da operação militar. De acordo com estimativas mencionadas pela parlamentar, os custos das ações militares contra o Irã ultrapassaram 5,6 bilhões de dólares apenas nos dois primeiros dias da ofensiva.

A senadora ressaltou ainda o contraste entre os gastos militares e as decisões recentes do Congresso. Segundo ela, os republicanos defenderam cortes em subsídios de saúde em 2025 com o argumento de reduzir despesas federais, mas não demonstram a mesma preocupação quando se trata do financiamento da guerra.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, também criticou publicamente o governo. Em mensagem publicada na rede social X, ele acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, de apresentarem versões conflitantes sobre a evolução do conflito.

“Trump afirmou que a guerra no Irã estava ‘completada’, mas Hegseth afirmou que hoje (terça-feira, 10), será o dia de ataques mais intensos até agora. Como é possível que Trump e seus aliados não consigam passar 12 horas sem se contradizer sobre esta guerra?”, escreveu Schumer.

As críticas surgiram após Hegseth anunciar que as forças norte-americanas realizariam “o dia mais intenso” de ataques a Teerã desde o início da ofensiva. A declaração contrasta com posicionamentos anteriores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou repetidamente que a guerra não se prolongaria.

Na segunda-feira, Trump declarou que o conflito estava “praticamente terminado” e que os bombardeios deveriam acabar “em breve”, argumentando que a capacidade militar de Teerã estaria em seu ponto mais baixo.

O presidente norte-americano também apresentou diferentes justificativas para o início da guerra, iniciada em meio a negociações indiretas entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. Trump responsabilizou as ambições nucleares do Irã pelo conflito, enquanto autoridades do governo também afirmaram que a ofensiva busca eliminar o programa de mísseis balísticos iraniano.

Teerã, por sua vez, nega buscar armas nucleares e rejeita as acusações que serviram de base para a ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos.

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