Guerra iniciada por EUA e Israel contra o Irã se expande e envolve novos países
A guerra também passou a afetar rotas estratégicas do comércio internacional
247 - A guerra dos EUA e Israel contra o Irã registrou novos episódios de escalada militar. Na quarta-feira (4), um submarino dos Estados Unidos afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, ação que deixou ao menos 80 mortos.
Outro episódio ampliou o alcance regional do conflito: sistemas de defesa aérea da OTAN interceptaram um míssil balístico iraniano que tinha como destino a Turquia. Trata-se da primeira vez que o país, membro da aliança militar ocidental e vizinho do Irã, é diretamente afetado por ataques ligados ao confronto.
Mesmo com o incidente, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que não há sinais de que o episódio leve à ativação da cláusula de defesa coletiva da OTAN.
Transporte global sofre impactos e petróleo reage
A guerra também passou a afetar rotas estratégicas do comércio internacional. O tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz, passagem vital para exportações de petróleo e gás do Oriente Médio, permanece fortemente afetado.Pelo menos 200 navios permanecem ancorados nas proximidades da região diante das incertezas de segurança. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu oferecer seguros e escoltas navais para embarcações que transitarem pelo estreito, numa tentativa de conter o aumento dos custos logísticos e o impacto sobre os preços da energia.O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a Marinha americana poderá escoltar navios-tanque de petróleo “assim que possível”, mas destacou que, neste momento, as forças militares estão concentradas nas operações de guerra.
Questionado se embarcações comerciais já solicitaram ajuda, ele respondeu: “Não, ainda não... faremos isso assim que pudermos. Agora nossa Marinha e nossas forças armadas estão focadas em outras coisas, que é desarmar esse regime iraniano”.
Mercados globais reagem à escalada militar
Apesar da intensificação do conflito, alguns mercados financeiros registraram recuperação após dias de perdas acentuadas. Bolsas asiáticas avançaram nesta quinta-feira e ações americanas fecharam em alta no dia anterior.
Operadores do mercado apontaram que o movimento foi impulsionado por um relatório do jornal The New York Times, segundo o qual a inteligência iraniana teria procurado a CIA no início da guerra para discutir possíveis caminhos para encerrar o conflito. O Ministério da Inteligência do Irã negou a informação. Um representante da pasta classificou o relato como “mentiras absolutas e guerra psicológica em meio ao conflito”, segundo a agência semioficial iraniana Tasnim.
FMI alerta para impactos na economia global
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que o conflito representa um teste para a resiliência econômica global.
“Este conflito, se se prolongar, tem potencial evidente para afetar os preços globais de energia, o sentimento dos mercados, o crescimento e a inflação. Também colocará novas demandas sobre os formuladores de políticas em todo o mundo”, declarou durante um evento em Bangkok.
Evacuações e paralisação do tráfego aéreo
Diversos governos iniciaram operações de repatriação para retirar cidadãos estrangeiros da região. Voos especiais foram organizados para retirar dezenas de milhares de pessoas afetadas pela guerra.
Um voo britânico que deveria repatriar cidadãos do Reino Unido a partir de Omã foi adiado e remarcado para esta quinta-feira, informou a Sky News. O tráfego aéreo comercial permanece amplamente suspenso em diversas áreas do Oriente Médio, afetando inclusive grandes centros de conexão como Dubai, considerado o aeroporto mais movimentado do mundo para passageiros internacionais.


