Depois do Irã, Estados Unidos recusam cessar-fogo: 'proposta significativa, mas insuficiente'
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump voltou a ameaçar ataques contra usinas, pontes e alvos “piores”
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como um avanço relevante a proposta de cessar-fogo de 45 dias com o Irã, mas afirmou que a iniciativa ainda não atende plenamente às expectativas de Washington. “Eles fizeram uma proposta, e é uma proposta significativa. É um passo significativo. Não é suficiente, mas é um passo muito significativo”, declarou o presidente a jornalistas durante evento na Casa Branca nesta segunda-feira (6).
A proposta foi elaborada por países envolvidos nas negociações para encerrar o conflito e enviada aos governos dos Estados Unidos e do Irã no domingo (5), sendo considerada uma tentativa de última hora para evitar ataques de grande escala contra infraestruturas iranianas, como usinas de energia e pontes. Trump indicou que as conversas seguem em andamento: “Eles estão negociando agora, e deram um passo muito significativo. Vamos ver o que acontece”.
Durante o tradicional evento Easter Egg Roll, na Casa Branca, o presidente também afirmou que a atual liderança iraniana seria “muito mais razoável” em comparação com grupos anteriores. “O primeiro regime foi derrubado, o segundo regime foi derrubado. Agora, o terceiro grupo de pessoas com quem estamos lidando não é tão radicalizado, e achamos que eles são realmente muito mais inteligentes”, disse. Apesar da alegação de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, é o mesmo desde o início do conflito. O líder supremo Ali Khamenei, morto pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro, foi substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei.
Apesar da abertura diplomática, Trump manteve o tom duro ao comentar a situação interna do Irã. Ele afirmou que a população poderia reagir contra o governo caso tivesse acesso a armas. “O povo iraniano vai reagir assim que souber que não será baleado e assim que puder obter armas”, declarou. Em outra fala, acrescentou: “Se o povo iraniano tivesse armas, o Irã desistiria em dois segundos porque não conseguiria suportar”.
O presidente também afirmou que a população deseja o fim do regime atual, chegando a dizer que “quer ouvir bombas porque quer ser livre”. Segundo ele, “estamos lutando por eles. Estamos lutando pelo futuro deles, e posso dizer que isso me foi dito de forma clara — o momento em que o povo iraniano está mais infeliz… é quando os bombardeios param”.
Paralelamente às declarações políticas, Trump comentou o estado de saúde de dois aviadores americanos cujo caça foi abatido no Irã na última sexta-feira (3), marcando o primeiro caso do tipo durante o conflito. “Eles estão se recuperando muito bem. Ambos ficaram feridos e estão bem”, afirmou. Um dos militares permaneceu escondido por mais de um dia antes de ser resgatado em uma operação considerada de alto risco.
Mesmo diante das negociações, o presidente reiterou ameaças diretas ao Irã, incluindo a possibilidade de ataques a pontes e usinas de energia caso o país não aceite um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. “Eles não terão pontes, não terão usinas de energia, não terão nada. Não vou mais longe porque há outras coisas piores do que essas duas”, disse.
Trump estabeleceu um prazo até terça-feira (7) para que Teerã aceite os termos propostos. Em publicação nas redes sociais no domingo, o presidente utilizou linguagem agressiva ao ameaçar ações militares, afirmando que o país enfrentaria consequências severas caso não abrisse o estreito estratégico.
Questionado sobre o uso de palavrões na mensagem, Trump justificou: “Apenas para deixar claro o meu ponto, acho que vocês já ouviram isso antes”.


