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Deputada dos EUA critica governo Trump por classificar PCC e CV como terroristas: "sem evidências claras"

Sydney Kamlager-Dove diz que medida carece de evidências para enquadrar as facções nos critérios da legislação dos EUA e prejudica relação com o Brasil

Sydney Kamlager-Dove (Foto: Reprodução (CNN))
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247 - A decisão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras provocou reação dentro do próprio Congresso estadunidense. A deputada democrata Sydney Kamlager-Dove, copresidente do Brazil Caucus, criticou a medida e afirmou que ela pode comprometer as relações entre Washington e Brasília.

Em entrevista à Folha de São Paulo, a parlamentar argumentou que a iniciativa não apresenta fundamentos suficientes para enquadrar as facções brasileiras nos critérios legais exigidos pela legislação dos Estados Unidos. Segundo ela, a medida também pode enfraquecer uma parceria considerada estratégica para a América Latina.

Críticas à política de Trump

Kamlager-Dove acusou o governo Trump de ampliar o uso das classificações de organizações terroristas para além de sua finalidade original. "O governo Trump tem usado de forma excessiva e instrumentalizado as designações de FTO, utilizando-as como justificativa para realizar execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico Oriental", disse em referência à sigla de Foreign Terrorist Organizations.

A deputada também questionou a base jurídica da decisão. "Sem evidências claras de que qualquer uma dessas organizações atenda aos critérios legais para ser considerada envolvida em atividade terrorista", afirmou.

Carta ao governo dos Estados Unidos

A posição da congressista já havia sido manifestada antes do anúncio oficial. Na véspera da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, ela assinou uma carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que PCC e Comando Vermelho não fossem classificados como organizações terroristas.

O documento recebeu o apoio de outros seis parlamentares, entre eles o democrata Jim McGovern, um dos autores da Lei Magnitsky. Os signatários argumentaram que a medida poderia ser contraproducente e trazer prejuízos para as relações bilaterais.

Para Kamlager-Dove, o combate às organizações criminosas deve ocorrer por meio da cooperação entre os dois países. "A melhor forma de os Estados Unidos combaterem essas organizações seria por meio da cooperação diplomática e de segurança com o Brasil e não por meio de designações politizadas de terrorismo estrangeiro", disse.

Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump

O anúncio da classificação das duas facções ocorreu na quinta-feira (28), dois dias após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. Após o encontro, o parlamentar brasileiro afirmou que solicitou ao presidente estadunidense a adoção da medida.

"Enquanto Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim fazer exatamente o contrário. Pedir enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. E eles são, sim, organizações terroristas financeiras, controlam territórios inteiros no Brasil pela força, submetem populações a seu próprio código e a sua própria lei, a sua própria justiça paralela", declarou.

Repercussão no Brasil

A decisão foi recebida com preocupação pelo governo brasileiro, que atuava para evitar a classificação das facções. Após o anúncio, o Palácio do Planalto reforçou o discurso em defesa da soberania nacional.

Enquanto especialistas e entidades apontam que a medida pode ter impacto limitado no enfrentamento ao crime organizado, além de oferecer riscos à economia e à soberania do Brail, setores da oposição avaliam que a iniciativa dos Estados Unidos poderá contribuir para conter o avanço das maiores organizações criminosas do país.

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