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Derrotados, EUA propõem acordo de 15 pontos ao Irã para encerrar guerra no Oriente Médio

Plano foi entregue via Paquistão, segundo o New York Times. Irã nega negociações e contradiz Trump. Petróleo Brent fecha acima de US$ 104

Mapa mostra o Estreito de Hormuz e o Irã atrás de uma miniatura impressa em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, nesta ilustração 22/06/2025 REUTERS/Dado Ruvic (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - Os Estados Unidos encaminharam ao Irã uma proposta formal composta por 15 pontos com o objetivo de pôr fim ao conflito no Oriente Médio. A informação foi revelada nesta terça-feira (24) pela agência Reuters, com base em fonte diretamente familiarizada com o assunto. Mais cedo, o New York Times já havia antecipado a existência do documento, citando duas autoridades que afirmaram que o plano foi transmitido a Teerã por intermédio do Paquistão.

Segundo o NYT e a Reuters, a iniciativa diplomática ocorre em um momento de intensa pressão militar e econômica sobre ambos os lados. Os EUA deram início aos ataques ao território iraniano em 28 de fevereiro, justificando a ofensiva com acusações de que o Irã estaria desenvolvendo armamento nuclear. A alegação, no entanto, foi contestada pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, que afirmou que inspetores da ONU não encontraram evidências que sustentassem a pretensão atribuída ao governo iraniano.

Irã contradiz Trump e nega negociações

A movimentação diplomática americana encontrou resistência imediata de Teerã. O governo iraniano negou publicamente ter mantido qualquer negociação com os Estados Unidos para o encerramento do conflito, contrariando declarações do presidente norte-americano Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, que havia afirmado que um acordo poderia ser alcançado em breve. A contradição aberta entre as duas partes reforçou a percepção de impasse e alimentou nova alta nas cotações do petróleo.

Em paralelo, o Financial Times informou que o Irã comunicou aos países membros da Organização Marítima Internacional que embarcações consideradas não hostis poderão transitar pelo Estreito de Ormuz, desde que coordenem previamente a passagem com as autoridades iranianas. O sinal, ainda que parcial, foi interpretado pelos mercados como um gesto de abertura em meio ao bloqueio que paralisou o escoamento de petróleo da região.

Petróleo dispara com crise no Golfo

Os preços do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira, impulsionados pela persistência do corte na oferta e pela negativa iraniana de qualquer entendimento com Washington. Os contratos futuros do Brent encerraram o pregão com valorização de US$ 4,55, ou 4,55%, chegando a US$ 104,49 por barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou US$ 4,22, equivalente a 4,79%, e fechou a US$ 92,35.

Estreito de Ormuz: o epicentro econômico do conflito

De todas as consequências da guerra, o fechamento do Estreito de Ormuz foi a que produziu os efeitos mais amplos sobre a economia global. A via marítima, encravada entre o litoral iraniano e o território de Omã, liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e responde pelo transporte de aproximadamente um quinto de todo o petróleo negociado no planeta.

Com o canal interditado, potências exportadoras da Opep — entre elas Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — tiveram suas exportações represadas, perdendo acesso às rotas que abastecem consumidores na Ásia, na Europa e nas Américas.

Em condições normais, o estreito movimenta cerca de 120 embarcações por dia, conforme dados do portal de inteligência naval Lloyd's List. O quadro atual é radicalmente diferente: entre 1º e 21 de março, navios carregados com matérias-primas realizaram apenas 124 travessias no total, representando uma queda de 95% em relação à média histórica, de acordo com levantamento da empresa de análise Kpler. Do total contabilizado, 75 viagens foram conduzidas por petroleiros e navios gaseiros, com a maioria seguindo em direção ao leste, saindo do estreito.

A proposta americana de 15 pontos, cujos termos não foram detalhados publicamente, surge em um cenário em que os custos econômicos e humanitários do conflito seguem se acumulando, sem que haja sinalização clara de aproximação entre as partes.

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