HOME > Mundo

Irã diz que navios não hostis podem transitar pelo Estreito de Ormuz, mas anuncia algumas condições

Bloqueio da via reduziu travessias em 95% e afeta exportações de petróleo da Opep. Conflito com EUA e Israel avança com novos ataques a infraestruturas

Ilustração com mapa do Estreito de Ormuz (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

247 - O Irã sinalizou uma abertura parcial ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz ao comunicar aos países membros da Organização Marítima Internacional que embarcações consideradas "não hostis" poderão transitar pela via estratégica desde que estabeleçam coordenação prévia com as autoridades iranianas. A informação foi divulgada nesta terça-feira (24) pelo Financial Times, com base em uma carta encaminhada pelo governo iraniano ao organismo internacional.

O comunicado representa um movimento diplomático relevante em meio à escalada do conflito que envolve Irã, Israel e Estados Unidos. No mesmo dia, novos episódios de violência foram registrados: ataques a infraestruturas de gás no território iraniano e uma nova rodada de disparos de mísseis contra Israel intensificaram as tensões na região, com desdobramentos que ultrapassaram as fronteiras dos países diretamente envolvidos.

Conflito se alastra pela região

Os reflexos do confronto chegaram a outros países do Oriente Médio. No Kuwait, fragmentos provenientes de sistemas de defesa aérea atingiram redes de transmissão elétrica, provocando interrupções no fornecimento de energia. No Bahrein, sirenes de alerta foram ativadas em diferentes pontos do território. Já a Arábia Saudita informou ter neutralizado 19 drones de origem iraniana que se aproximavam de seu espaço aéreo.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos deram início às operações militares e acusaram o Irã de desenvolver capacidade para produção de armas nucleares. A ONU, no entanto, contestou as alegações, apontando ausência de evidências que sustentassem as acusações e negando que o país asiático tivesse tal pretensão.

Bloqueio do Estreito paralisa escoamento de petróleo global

Entre todas as respostas iranianas ao conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz foi a medida de maior impacto sobre a economia mundial. O canal, situado entre o litoral iraniano e o território de Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e é responsável pelo escoamento de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta.

Com a passagem bloqueada, grandes produtores da Opep — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait entre eles — viram suas exportações represadas, perdendo acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, na Europa e nas Américas.

Em condições normais, o estreito registra aproximadamente 120 travessias diárias, conforme dados do portal de inteligência naval Lloyd's List. O cenário atual é radicalmente distinto: entre 1º e 21 de março, navios de carga de matérias-primas completaram apenas 124 travessias no total, uma retração de 95% em relação à média histórica, segundo levantamento da empresa de análise Kpler. Do total de travessias registradas, 75 foram realizadas por petroleiros e navios gaseiros, com a maior parte navegando em direção ao leste, saindo do estreito.

Sistemas de saúde iranianos sob ataque

No plano humanitário, o Ministério da Saúde do Irã divulgou nesta terça-feira (24) que ataques conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos causaram danos a 313 instalações do sistema de saúde iraniano, entre hospitais, centros médicos, ambulâncias e outros equipamentos. Vinte e três profissionais de saúde teriam sido mortos nas ofensivas.

O balanço do governo iraniano converge com os dados apresentados pela Crescente Vermelha Iraniana, organização humanitária de atuação internacional. A entidade registrou danos em 281 centros médicos, hospitais, farmácias e unidades próprias. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, havia confirmado até 18 de março ataques a 20 unidades de saúde no país, com ao menos nove mortes documentadas.

A sinalização iraniana sobre o Estreito de Ormuz, ainda que condicional, é observada com atenção pelos mercados internacionais, que acompanham a evolução do conflito diante do risco de novas interrupções no abastecimento global de energia.

Artigos Relacionados