Documento dos EUA sobre garantias de segurança à Ucrânia está pronto, diz Zelenski
Presidente ucraniano afirma que texto aguarda apenas definição de data e local para assinatura após negociações em Abu Dhabi
247 - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (25), que o documento elaborado pelos Estados Unidos com garantias de segurança para o país está concluído e pronto para ser assinado. Segundo ele, Kiev agora aguarda apenas a confirmação, por parte dos parceiros, sobre a data e o local da formalização do acordo, em um contexto de retomada das negociações diplomáticas relacionadas ao conflito com a Rússia.
As declarações foram dadas durante uma visita oficial a Vilnius, capital da Lituânia, e divulgadas originalmente pela agência Reuters. Zelensky destacou o papel central de Washington no processo e reforçou que as garantias propostas têm como eixo principal o compromisso de segurança dos Estados Unidos com a Ucrânia.
“Para nós, as garantias de segurança são, antes de tudo, garantias de segurança por parte dos Estados Unidos. O documento está 100% pronto e estamos aguardando que nossos parceiros confirmem a data e o local em que o assinaremos”, afirmou o presidente ucraniano em entrevista coletiva.
De acordo com Zelensky, após a assinatura, o texto seguirá para os trâmites legislativos nos dois países envolvidos. “O documento será então enviado para ratificação ao Congresso dos EUA e ao parlamento ucraniano”, declarou.
As falas ocorrem após a realização, na sexta-feira e no sábado (24), da primeira reunião trilateral entre negociadores da Ucrânia e da Rússia, com a participação de mediadores americanos, em Abu Dhabi. O encontro teve como foco uma proposta apresentada por Washington para encerrar a guerra, que já se estende por quase quatro anos. Apesar de não haver acordo ao final das conversas, as partes sinalizaram disposição para manter o diálogo.
Segundo um funcionário americano, novas discussões estão previstas para o próximo domingo, novamente em Abu Dhabi. Zelenskiy comentou o estágio atual das tratativas e indicou avanços no debate. “(Em Abu Dhabi) o plano de 20 pontos (dos EUA) e as questões problemáticas estão sendo discutidas. Havia muitas questões problemáticas, mas agora há menos”, disse.
O presidente ucraniano também afirmou que Moscou busca pressionar Kiev a abrir mão de regiões do leste do país que a Rússia não conseguiu controlar desde o início da invasão em larga escala. Ele reiterou, no entanto, que a posição ucraniana permanece inalterada quanto ao respeito à integridade territorial.
“São duas posições fundamentalmente diferentes: a da Ucrânia e a da Rússia. Os americanos estão tentando encontrar um meio-termo”, declarou Zelensky, acrescentando que todas as partes envolvidas precisam estar dispostas a fazer concessões, “inclusive os americanos”.
A coletiva em Vilnius contou ainda com a presença do presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, e do presidente da Polônia, Karol Nawrocki, e ocorreu em meio a um esforço diplomático intensificado para destravar as negociações e buscar uma saída política para o conflito.


