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Eleições em Portugal podem ampliar força populista da extrema direita na Europa

Com recorde de candidatos, disputa deve ir ao segundo turno em fevereiro

Eleições-Portugal (Foto: REUTERS/Pedro Nunes)

247 - Portugal realiza neste domingo (18)  uma eleição presidencial marcada por forte fragmentação política e pela possibilidade de um segundo turno. O elevado número de candidatos torna improvável que algum deles alcance mais de 50% dos votos na primeira volta, cenário que deve levar os dois mais votados a uma nova disputa em 8 de fevereiro. As informações são do Euronews.

A votação ocorre com mais de 11 milhões de eleitores aptos a participar do pleito. A maior parte dos resultados é esperada até o fim do dia. O vencedor substituirá Marcelo Rebelo de Sousa, que deixa o cargo após cumprir o limite constitucional de dois mandatos consecutivos de cinco anos.

Cenário fragmentado e expectativa de segundo turno

Esta é a eleição presidencial com o maior número de candidatos da história recente do país, reflexo de um ambiente político instável. Portugal realizou, em maio de 2025, sua terceira eleição legislativa em apenas três anos, no período considerado o mais turbulento das últimas décadas. A instabilidade institucional e as dificuldades econômicas influenciam diretamente o comportamento do eleitorado, que demonstra preocupação crescente com o custo de vida, a crise habitacional e o futuro dos jovens.

André Ventura e o discurso sobre imigração

Entre os nomes mais bem posicionados nas sondagens está André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega. O crescimento do apoio à legenda fez com que o Chega se tornasse o segundo maior partido do Parlamento português no ano passado, apenas seis anos após sua fundação.

Ventura tem concentrado sua campanha em críticas à imigração, tema que ganhou visibilidade com o aumento da presença de trabalhadores estrangeiros no país. Um dos slogans utilizados pelo candidato foi "Portugal é nosso".

Durante o período eleitoral, o líder do Chega espalhou outdoors com frases como "Isto não é Bangladesh" e "Os imigrantes não devem poder viver da assistência social". Meses depois, um tribunal administrativo determinou a retirada dos cartazes, por considerá-los discriminatórios. A manifestação pública de um discurso anti-imigração dessa natureza era considerada impensável em Portugal até poucos anos atrás, apesar de o país enfrentar escassez de mão de obra em diversos setores.

Outros nomes fortes na disputa presidencial

Além de Ventura, concorrem candidatos ligados aos dois principais partidos que se alternam no poder há cerca de cinco décadas. Pelo Partido Social Democrata, de centro-direita e atualmente no governo, disputa a Presidência Luís Marques Mendes. Já pelo campo de centro-esquerda, António José Seguro entrou na corrida após receber apoio pleno de seu partido em um momento posterior da campanha.

Outro nome que aparece como competitivo é o do contra-almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, candidato independente que ganhou projeção nacional ao coordenar a campanha de vacinação contra a COVID-19 durante a pandemia. Ele reúne apoio de figuras públicas e políticas de diferentes espectros ideológicos.

Também figura entre os favoritos Cotrim de Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal. As sondagens indicam que ele tem chances de avançar ao segundo turno, ampliando o leque de opções para os eleitores.

Entre os 11 candidatos, apenas uma mulher participa da disputa. Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, aparece nas pesquisas com poucas possibilidades de vitória. Portugal nunca teve uma mulher como chefe de Estado.

Desafio institucional do próximo presidente

Embora André Ventura tenha tentado transformar a imigração no eixo central da campanha, pesquisas indicam que a maior parte do eleitorado está mais preocupada com temas econômicos e sociais, como habitação, renda e perspectivas para as novas gerações.

Em Portugal, o presidente da República exerce majoritariamente um papel simbólico, sem poder executivo direto. Ainda assim, o cargo possui atribuições relevantes, como o poder de vetar leis aprovadas pelo Parlamento — veto que pode ser revertido — e a prerrogativa de dissolver o Legislativo e convocar eleições antecipadas, instrumento conhecido no jargão político português como a “bomba atômica”.

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