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Entenda o que são as bombas gravitacionais de precisão citadas pelos EUA

O deslocamento dessas bombas até o objetivo depende principalmente da altitude, da velocidade do avião e da trajetória calculada no momento do lançamento

Iraquianos saem às ruas em solidariedade ao Irã (Foto: Reuters)

247 - O governo dos Estados Unidos, liderado pelo atual presidente Donald Trump, afirmou que pretende empregar bombas gravitacionais de precisão em possíveis novos ataques contra o Irã. A informação foi divulgada em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e levantou questionamentos sobre o funcionamento e o papel desse tipo de armamento em operações militares contemporâneas.

Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (5) pelo Portal G1, especialistas explicam que essas bombas são lançadas por aeronaves e utilizam a força da gravidade para atingir o alvo após serem liberadas. Ao contrário de mísseis autopropulsados, o deslocamento até o objetivo depende principalmente da altitude, da velocidade do avião e da trajetória calculada no momento do lançamento.

O professor de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vitelio Brustolin, explica que o princípio dessas armas é relativamente simples, embora as versões modernas tenham incorporado tecnologia avançada de orientação.

“Bombas de gravidade são as mais simples: as lançadas de aviões. Atualmente, muitas delas também são usadas para penetração, usam a gravidade e penetram no solo para destruir bunkers, por exemplo, e têm um mecanismo de explosão com retardo para poder explodir dentro dos alvos”, detalhou.

Alvos estratégicos e destruição de estruturas

Esse tipo de armamento costuma ser direcionado contra estruturas consideradas estratégicas em cenários de guerra. Entre os principais alvos estão depósitos de armas, centros de comando e controle, veículos militares, além de instalações subterrâneas, como bunkers e armazéns protegidos.

As versões modernas dessas bombas podem ser equipadas com kits de orientação que permitem correções de trajetória após o lançamento. Essa tecnologia amplia significativamente a precisão do ataque, reduzindo a margem de erro em relação às bombas convencionais utilizadas no passado.

De acordo com Brustolin, os sistemas de guiagem podem operar com diferentes tecnologias. “Esses kits podem funcionar a laser, a GPS ou por controle remoto de diversos tipos”, afirmou.

Evolução tecnológica das bombas de gravidade

As bombas gravitacionais já eram utilizadas em conflitos do século XX e ficaram historicamente associadas aos ataques nucleares realizados pelos Estados Unidos contra Hiroshima e Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, o conceito básico permaneceu o mesmo, mas os sistemas de orientação evoluíram de forma significativa.

Com o avanço tecnológico, as chamadas bombas gravitacionais de precisão passaram a ser capazes de corrigir sua rota durante a queda, aumentando a capacidade de atingir alvos específicos com maior exatidão. Essa evolução tornou o armamento mais eficiente em operações militares modernas.

Dependência da superioridade aérea

Para que essas bombas sejam empregadas com sucesso, é necessário que a aeronave consiga se aproximar do alvo sem ser interceptada por sistemas de defesa antiaérea ou mísseis inimigos. Isso significa que o uso desse tipo de armamento depende diretamente do controle do espaço aéreo na região do conflito.

Brustolin ressalta que esse é um fator decisivo para a utilização dessas armas em operações militares. “Essas bombas geralmente são usadas quando existe superioridade ou supremacia aérea. Supremacia aérea é o nível mais elevado de controle do espaço aéreo do oponente quando você consegue sobrevoar o território do oponente livremente”, explicou.

Nesse contexto, o emprego de bombas gravitacionais de precisão costuma ocorrer quando as forças militares já estabeleceram domínio significativo sobre o espaço aéreo do adversário, permitindo que aeronaves bombardeiras operem com menor risco de serem abatidas.

O conflito

Os EUA iniciaram os ataques ao Irã no último sábado (28). Pelo menos 1.230 pessoas morreram no país asiático desde então, informou a agência estatal Islamic Republic News Agency (IRNA).

O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o Irã de querer o desenvolvimento de armas nucleares, mas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou que inspetores da ONU não encontraram prova sobre o desenvolvimento de armas nucleares pelo país asiático.

Resposta do Irã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que Teerã não considera estar em conflito com os países do Golfo Pérsico, mas sim em confronto direto com os Estados Unidos, após os ataques realizados no último sábado. As afirmações foram divulgadas pela imprensa estatal iraniana, que reproduziu o posicionamento do chanceler em meio ao aumento das tensões na região.

No contexto geopolítico do Oriente Médio, os Estados Unidos contam formalmente com pelo menos oito parceiros na região: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Por sua vez, o Irã mantém relações com o Paquistão, com o Hezbollah — grupo sediado no Líbano — e com o Iêmen.

Na madrugada desta quinta-feira (5), o Irã realizou um novo ataque com mísseis contra Israel, intensificando a resistência diante da ofensiva militar. O episódio levou milhões de israelenses a buscar abrigo em estruturas antiaéreas após o disparo de sirenes em várias regiões do país.

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