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Estreito de Ormuz segue sendo ponto de "sérias divergências" nas negociações em Islamabad, diz agência iraniana

Divergências sobre segurança e poder militar mantêm impasse nas conversas diplomáticas entre Teerã e Washington

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif (à direita), reúne-se com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, antes das negociações de paz entre os EUA e o Irã, em Islamabad, Paquistão -11 de abril de 2026 (Foto: Reuters)

247 - As negociações inéditas entre Irã e Estados Unidos em Islamabad enfrentam impasses significativos, com o Estreito de Ormuz permanecendo como um dos principais pontos de divergência entre as delegações. O tema, central para a segurança regional e o fluxo global de petróleo, tem dificultado avanços concretos nas tratativas, que ocorrem em meio a expectativas de um possível novo capítulo nas relações entre os dois países.

Segundo informações divulgadas neste sábado (11) pela agência semioficial iraniana Tasnim e reportadas pela Reuters, o Estreito de Ormuz segue sendo foco de “sérias divergências”, com Teerã criticando o que considera exigências excessivas por parte dos Estados Unidos. Apesar disso, as consultas continuam, enquanto o Irã insiste na preservação de suas capacidades militares.

As negociações diretas, consideradas inéditas após décadas de tensões diplomáticas, tiveram início neste sábado na capital paquistanesa. De acordo com a Al Jazeera, as delegações permaneceram reunidas por cerca de duas horas, com expectativa de continuidade das conversas nas horas seguintes. Entre os participantes norte-americanos estão o vice-presidente e outros enviados de alto nível, enquanto representantes iranianos demonstraram confiança na defesa dos interesses do país.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, manifestou apoio à delegação negociadora e afirmou que os representantes “negociarão com bravura” em defesa dos interesses nacionais. Em publicação na rede X, ele declarou: “Em qualquer caso, o nosso serviço ao povo não irá parar por um momento, e seja qual for o resultado das negociações, o governo estará ao lado do povo”.

A pauta das negociações inclui temas sensíveis como cessar-fogo, segurança regional, economia global e a situação no Estreito de Ormuz. Segundo a Al Jazeera, fontes ouvidas sob anonimato apontam divergências relevantes entre os dois lados, envolvendo questões militares, econômicas e estratégicas. Ainda assim, há sinais de possíveis avanços em tópicos como o descongelamento de ativos iranianos, a situação no Líbano e a segurança no Golfo.

O contexto regional adiciona complexidade às tratativas. Enquanto o diálogo avançava em Islamabad, ataques aéreos israelenses no sul do Líbano deixaram ao menos quatro mortos na cidade de Kfar Sir, segundo autoridades locais. Paralelamente, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevaram a tensão ao afirmar que o Irã estaria “perdendo feio” e ao mencionar ações no Estreito de Ormuz — afirmações que foram negadas por autoridades militares iranianas.

A delegação iraniana é composta por representantes de diversas instituições, incluindo o Parlamento, o Ministério das Relações Exteriores e o Conselho Supremo de Segurança Nacional, refletindo a abrangência e a complexidade das negociações. Em Teerã, autoridades e analistas acompanham de perto o desenrolar das conversas, diante do potencial impacto político e econômico.

O ministro do Planejamento e Desenvolvimento do Paquistão, Ahsan Iqbal, destacou a importância global do encontro. “O simples fato de ambos os lados estarem aqui, tendo viajado grandes distâncias, particularmente a delegação liderada pelo vice-presidente dos EUA, demonstra a seriedade”, afirmou à Al Jazeera. Ele acrescentou que, embora um acordo definitivo seja o cenário ideal, até mesmo um entendimento para prolongar o cessar-fogo já seria positivo.

Iqbal também ressaltou o alcance internacional das negociações. “Não se trata apenas de seus países, mas do futuro da economia global”, disse, indicando que o desfecho das conversas pode influenciar diretamente a estabilidade econômica mundial.

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