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EUA e Irã negociam no Paquistão, sob a sombra de ataques de Israel ao Líbano

Representantes dos Estados Unidos e do Irã manifestam divergências significativas sobre questões militares, econômicas e estratégicas

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

247 - As delegações de Estados Unidos e Irã iniciaram negociações diretas inéditas em Islamabade, no Paquistão, discutindo temas como cessar-fogo, segurança regional, economia global e o Estreito de Ormuz, em um encontro que pode marcar um novo capítulo nas relações entre os dois países após décadas de tensões.

De acordo com a Al Jazeera, as delegações se reuniram por cerca de duas horas na capital paquistanesa, com expectativa de continuidade das conversas nas próximas horas. A emissora também informou que autoridades dos EUA, incluindo o vice-presidente e outros enviados, participaram das tratativas, enquanto representantes iranianos expressaram confiança na defesa dos interesses do país.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou apoio à delegação e afirmou que os negociadores “negociarão com bravura” em defesa dos interesses nacionais. Em publicação na rede X, ele escreveu: “Em qualquer caso, o nosso serviço ao povo não irá parar por um momento, e seja qual for o resultado das negociações, o governo estará ao lado do povo”.

As negociações ocorrem em meio a um cenário regional delicado. Enquanto o diálogo avançava em Islamabade, ataques aéreos israelenses no sul do Líbano deixaram ao menos quatro mortos na cidade de Kfar Sir, segundo autoridades locais. Paralelamente, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentaram a tensão, ao afirmar que o Irã estaria “perdendo feio” e mencionar ações no Estreito de Ormuz — afirmações negadas por autoridades militares iranianas.

Segundo informações obtidas pela Al Jazeera junto a fontes sob anonimato, há divergências significativas entre os dois lados, com uma ampla agenda que inclui questões militares, econômicas e estratégicas. Apesar disso, há sinais de avanço em pontos como o descongelamento de ativos iranianos, a situação no Líbano e a segurança no Golfo.

A delegação iraniana reúne representantes de diversas instituições, incluindo o Parlamento, o Ministério das Relações Exteriores e o Conselho Supremo de Segurança Nacional, refletindo a complexidade e a abrangência das negociações. Em Teerã, a expectativa é elevada, com autoridades e analistas acompanhando de perto o possível desfecho do encontro.

O ministro do Planejamento e Desenvolvimento do Paquistão, Ahsan Iqbal, destacou a relevância global das tratativas. “O simples fato de ambos os lados estarem aqui, tendo viajado grandes distâncias, particularmente a delegação liderada pelo vice-presidente dos EUA, demonstra a seriedade”, afirmou à Al Jazeera. Ele acrescentou que um acordo definitivo seria o melhor cenário, mas considerou positivo até mesmo um entendimento para prolongar o cessar-fogo e manter o diálogo.

Iqbal também ressaltou o impacto internacional do processo. “Não se trata apenas de seus países, mas do futuro da economia global”, disse, indicando que o resultado das negociações pode influenciar diretamente a estabilidade econômica mundial.

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