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EUA ameaçam bloquear portos do Irã a partir de hoje

Ameaça dos EUA eleva tensão e impacta preços do petróleo

Estreito de Ormuz (Foto: Reuters)

247 - O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou que bloqueará “todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos”, incluindo embarcações de qualquer país que operem no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

A ameaça intensifica a crise no Oriente Médio e já provoca impactos no mercado global de energia, com forte alta nos preços do petróleo diante do risco de interrupção das rotas estratégicas da região.

O anúncio ocorre após o fracasso das negociações de paz realizadas em Islamabad, no Paquistão, que não resultaram em um acordo entre Washington e Teerã. A iniciativa é vista como uma tentativa de aumentar a pressão sobre o Irã. 

Segundo o comando militar estadunidense, embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz com destino a portos não iranianos continuarão a ter liberdade de navegação. A posição, no entanto, contrasta com declarações anteriores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia sugerido um bloqueio mais amplo da via estratégica.

A jornalista Heidi Zhou-Castro, da Al Jazeera, destacou as divergências nas informações vindas do governo norte-americano. “Há muitas perguntas sem resposta”, afirmou. Ela acrescentou: “Trump disse que o bloqueio teria como alvo todos os navios que tentassem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. Mas o CENTCOM afirma que isso afetaria apenas os navios que se dirigem a portos iranianos ou que partem deles.”

A reação dos mercados foi imediata. O preço do petróleo bruto dos Estados Unidos subiu 8%, atingindo US$ 104,24 por barril, enquanto o Brent, referência internacional, avançou 7%, chegando a US$ 102,29. A alta reflete o temor de interrupções no fornecimento global, já que o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

Desde o início do conflito, o Irã assumiu o controle do estreito, reduzindo drasticamente o tráfego marítimo na região. Embora tenha permitido a passagem limitada de embarcações estrangeiras, o país manteve a circulação de seus próprios navios e chegou a discutir a implementação de um sistema de pedágio para outras nações.

Em resposta à ameaça de bloqueio, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que se aproximar será considerada uma violação do cessar-fogo, previsto para vigorar até 22 de abril. Segundo o comunicado, essas embarcações “serão tratadas com severidade”.

Autoridades iranianas também responsabilizaram os Estados Unidos pelo fracasso das negociações. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que os negociadores americanos mudaram as “regras do jogo” quando um entendimento estava próximo de ser alcançado.

A professora associada da Universidade de Teerã, Zohreh Kharazmi, criticou a postura de Washington e afirmou que os EUA não têm capacidade de impor condições ao Irã. “Se esse bloqueio se transformar em uma disputa entre a resiliência da República Islâmica e a resiliência dos mercados globais, não demorará muito para vermos quem está perdendo”, disse.

Ela também questionou a eficácia da estratégia militar americana: “Tecnicamente, eles não conseguem controlar a situação. Com estratégias ao estilo de Hollywood, eles não podem prevalecer neste campo de batalha.”

O agravamento da crise eleva o risco de novos confrontos na região e aumenta a incerteza sobre o futuro das negociações diplomáticas, enquanto o mercado global acompanha com preocupação os desdobramentos no Golfo Pérsico.

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