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EUA e Irã iniciam negociações nucleares em Genebra sob risco de guerra

Conversas indiretas mediadas por Omã ocorrem enquanto Washington reforça presença militar

EUA e Irã realizam negociações sobre o acordo nuclear (Foto: Reuters)

247 - Os Estados Unidos e o Irã iniciaram nesta terça-feira (17) novas negociações indiretas em Genebra, na Suíça, numa tentativa de reduzir a tensão em torno do programa nuclear iraniano, em um cenário marcado por ameaças de escalada militar e pela intensificação da presença das Forças Armadas americanas na região.

As conversas acontecem com mediação de Omã e envolvem enviados de alto nível de Washington e Teerã, mas ainda sem sinais concretos de que um acordo esteja próximo, apesar das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que acredita haver disposição iraniana para negociar.De acordo com uma fonte ouvida pela agência, os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner participam do encontro, ao lado do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi. As tratativas ocorrem em meio ao reforço militar dos EUA na região, que vem sendo tratado pela Casa Branca como uma demonstração de força diante da possibilidade de confronto.

Trump: crença em acordo e ameaças 

Na segunda-feira, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos participariam “indiretamente” das negociações e declarou que Teerã estaria interessado em evitar as consequências de um fracasso diplomático.

Não acho que eles queiram as consequências de não chegar a um acordo”, disse Trump a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One.

O presidente norte-americano também mencionou operações militares anteriores contra instalações nucleares iranianas e afirmou que um entendimento poderia ter evitado ataques realizados no passado.

Poderíamos ter chegado a um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2”, declarou.

EUA ampliam presença militar 

Enquanto a conversa diplomática se instala, autoridades americanas relataram à Reuters que as Forças Armadas dos EUA se preparam para a hipótese de uma campanha prolongada contra o Irã, caso Trump decida ordenar um novo ataque. Segundo dois oficiais ouvidos pela agência, o planejamento militar considera a possibilidade de semanas de operações.

O cenário atual remete ao episódio de junho do ano passado, quando Israel niciou uma ofensiva aérea contra o Irã. Posteriormente, bombardeiros B-2 dos Estados Unidos também participaram de ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

Desde então, segundo o texto da Reuters, Teerã declarou ter interrompido suas atividades de enriquecimento de urânio.

Irã realiza exercícios no Estreito de Ormuz

No mesmo contexto de tensão, o Irã iniciou na segunda-feira exercícios militares no Estreito de Ormuz, rota considerada estratégica para o comércio internacional e para o transporte de petróleo exportado por países árabes do Golfo. A região é vista como um dos pontos mais sensíveis do planeta para a estabilidade energética global.

A movimentação ocorre enquanto países do Golfo tentam pressionar por uma solução diplomática, buscando evitar que o conflito se expanda e afete diretamente o fluxo de exportações.

Divergências 

A Reuters destaca que Washington tenta ampliar as conversas para temas além do programa nuclear, incluindo o estoque de mísseis iranianos. Teerã, porém, sustenta que aceita discutir apenas limites para suas atividades nucleares, desde que haja contrapartida em forma de alívio de sanções econômicas.

O Irã também rejeita abrir mão completamente do enriquecimento de urânio e afirma não estar disposto a negociar seu programa de mísseis.

Os Estados Unidos e Israel sustentam que o Irã busca desenvolver uma arma nuclear, o que, segundo eles, poderia ameaçar a existência do Estado israelense. O governo iraniano, por sua vez, afirma que seu programa tem objetivos exclusivamente pacíficos, embora tenha enriquecido urânio em níveis muito superiores aos necessários para geração de energia, aproximando-se do patamar considerado adequado para uma bomba.

Rubio: EUA “estão dispostos a tentar”

Na segunda-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reconheceu em entrevista coletiva em Budapeste que negociar com o Irã é um processo complexo, mas afirmou que Washington pretende seguir com a tentativa diplomática.“Era difícil fazer um acordo com o Irã, mas os EUA estavam dispostos a tentar”, disse Rubio, segundo a Reuters.

Irã e AIEA 

Ainda na segunda-feira, Abbas Araqchi, chanceler iraniano, se encontrou em Genebra com Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O objetivo da reunião foi tratar da cooperação entre o Irã e o órgão de fiscalização nuclear da ONU, além de discutir aspectos técnicos ligados às negociações em andamento.

A reunião com Grossi ocorre num momento em que a credibilidade do sistema de inspeções e monitoramento é considerada central para qualquer eventual acordo, já que a AIEA é responsável por verificar o cumprimento de compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano.

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