Irã propõe acordos em energia e aviação em negociações com os EUA
Teerã sinaliza flexibilidade no programa nuclear e coloca petróleo, mineração e compra de aeronaves na mesa em troca de alívio das sanções
247 - O Irã afirmou neste domingo (15) que busca um novo acordo nuclear com os Estados Unidos que garanta ganhos econômicos concretos para ambos os países, às vésperas da segunda rodada de negociações entre Teerã e Washington, prevista para ocorrer em Genebra. A sinalização inclui possíveis parcerias nos setores de energia, mineração e até mesmo a compra de aeronaves.
Segundo a agência Reuters, autoridades iranianas indicaram que há disposição para discutir compromissos no programa nuclear em troca do alívio das sanções impostas por Washington. As conversas foram retomadas neste mês com o objetivo de resolver o impasse em torno do programa nuclear iraniano e evitar uma escalada militar na região.
De acordo com a Reuters, os Estados Unidos enviaram um segundo porta-aviões ao Oriente Médio e se preparam para a possibilidade de uma campanha militar prolongada caso as negociações fracassem. Ainda assim, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prefere uma solução diplomática.
Em coletiva de imprensa em Bratislava, Rubio declarou: “Ninguém jamais conseguiu fechar um acordo bem-sucedido com o Irã, mas nós vamos tentar”. Ele acrescentou que enviados americanos, entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner, estariam a caminho para reuniões consideradas importantes. “Steve Witkoff e Jared Kushner estarão viajando, acho que estão viajando neste momento, para realizar reuniões importantes e veremos como isso vai se desenrolar”, disse, sem dar mais detalhes.
Do lado iraniano, o vice-diretor de diplomacia econômica do Ministério das Relações Exteriores, Hamid Ghanbari, defendeu que um eventual acordo precisa gerar benefícios mútuos. “Para que um acordo seja duradouro, é essencial que os EUA também se beneficiem em áreas com retornos econômicos altos e rápidos”, afirmou à agência semioficial Fars.
Ghanbari detalhou os possíveis campos de cooperação: “Interesses comuns nos campos de petróleo e gás, campos conjuntos, investimentos em mineração e até mesmo compras de aeronaves estão incluídos nas negociações”. Ele argumentou ainda que o pacto nuclear firmado em 2015 entre o Irã e potências mundiais não assegurou interesses econômicos aos Estados Unidos.
O acordo de 2015 previa a flexibilização de sanções internacionais em troca de restrições ao programa nuclear iraniano. Em 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do entendimento e restabeleceu sanções econômicas severas contra Teerã.
As negociações atuais diferem das que resultaram no pacto de 2015, que foram multilaterais. Desta vez, os diálogos ocorrem diretamente entre Irã e Estados Unidos, com mediação de Omã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, deixou Teerã rumo a Genebra para participar das conversas indiretas e também se reunir com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Sinais de flexibilidade também vieram do vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi. Em entrevista à BBC, ele afirmou que a responsabilidade agora cabe a Washington. Segundo ele, a bola está “Cabe aos Estados Unidos provar que querem fechar um acordo.”
A autoridade citou como exemplo de abertura a declaração do chefe da agência nuclear iraniana de que o país poderia concordar em diluir seu urânio mais altamente enriquecido em troca da suspensão das sanções. No entanto, reiterou que Teerã não aceitará enriquecimento zero de urânio — ponto sensível nas negociações anteriores, já que Washington vê o enriquecimento em território iraniano como um possível caminho para o desenvolvimento de armas nucleares. O Irã nega buscar esse tipo de armamento.


