EUA planejam ofensiva prolongada contra Irã
Autoridades dizem que uma campanha militar contra Teerã pode durar semanas e elevar risco de retaliação iraniana
247 - Os militares dos Estados Unidos estão se preparando para a possibilidade de uma campanha prolongada contra o Irã, que pode se estender por semanas caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorize um ataque. Segundo a agência Reuters, dois oficiais estadunidenses confirmaram o planejamento sob condição de anonimato, devido à sensibilidade do tema. Uma eventual ofensiva poderia representar uma escalada mais ampla do que confrontos anteriores entre Washington e Teerã. A revelação ocorre em meio a esforços diplomáticos para retomar negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Reforço militar e cenário diplomático
Na semana passada, representantes dos Estados Unidos e do Irã se reuniram em Omã para tentar reativar o diálogo nuclear. Paralelamente, Trump determinou o reforço da presença militar dos EUA no Oriente Médio, aumentando as preocupações sobre uma possível ação armada.
Autoridades estadunidenses informaram que o Pentágono enviará um porta-aviões adicional à região, além de milhares de militares, aviões de combate, destróieres com mísseis guiados e outros recursos capazes de executar ataques e responder a eventuais ofensivas.
Em discurso a tropas na Carolina do Norte, Trump afirmou que negociar com o Irã tem sido complexo. “Tinha sido difícil chegar a um acordo”, declarou. “Às vezes é preciso ter medo. Essa é a única coisa que realmente vai resolver a situação”, disse em seguida.
Questionada sobre os preparativos, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que “o presidente Trump tem todas as opções em cima da mesa em relação ao Irã”. Segundo ela, “ele ouve diversas perspectivas sobre qualquer assunto, mas toma a decisão final com base no que é melhor para o nosso país e para a segurança nacional”. O Pentágono recusou-se a comentar.
Operação mais ampla e riscos crescentes
No ano passado, os Estados Unidos enviaram dois porta-aviões ao Oriente Médio durante ataques contra instalações nucleares iranianas. A chamada operação “Martelo da Meia-Noite”, realizada em junho, foi descrita como uma ação pontual, com bombardeiros furtivos partindo do território americano para atingir alvos específicos. A resposta iraniana, na ocasião, foi limitada a um ataque restrito contra uma base americana no Catar.
Desta vez, segundo uma das autoridades ouvidas pela Reuters, o planejamento é mais complexo. Em uma campanha sustentada, os Estados Unidos poderiam atingir não apenas estruturas nucleares, mas também instalações estatais e de segurança do Irã. O funcionário não detalhou possíveis alvos.
Especialistas alertam que uma ofensiva prolongada ampliaria significativamente os riscos para forças estadunidenses, sobretudo diante do arsenal de mísseis iranianos. Uma escalada poderia desencadear retaliações sucessivas e aumentar o risco de conflito regional.
Uma das autoridades afirmou que Washington espera plenamente uma resposta iraniana caso haja ataques, o que poderia resultar em uma sequência de ações e contra-ataques ao longo do tempo.
Ameaças públicas e reação iraniana
Donald Trump tem reiterado ameaças de bombardear o Irã em razão de seu programa nuclear, do desenvolvimento de mísseis balísticos e da repressão interna. Na quinta-feira, advertiu que a alternativa a uma solução diplomática seria “muito traumática, muito traumática”. A Guarda Revolucionária do Irã declarou que, em caso de ataques em seu território, poderá retaliar contra qualquer base militar americana na região.
Os Estados Unidos mantêm bases em países como Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Turquia, o que amplia a dimensão estratégica de uma eventual escalada.
Pressão de Israel e impasse nuclear
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com Trump em Washington e afirmou que, se houver acordo com o Irã, “ele deve incluir os elementos que são vitais para Israel”. Teerã, por sua vez, declarou estar disposto a discutir restrições ao programa nuclear em troca da suspensão de sanções econômicas, mas rejeitou incluir o tema dos mísseis nas negociações.


