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EUA e Irã mantêm consultas via Paquistão e negociações podem ser retomadas

O Paquistão segue atuando como mediador, mantendo a troca de mensagens entre Washington e Teerã

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

247 - As negociações entre Estados Unidos e Irã terminaram sem acordo em Islamabad, mas com o compromisso de manter o diálogo aberto, após discussões intensas sobre o programa nuclear, sanções e o controle do Estreito de Ormuz. O encontro, mediado pelo Paquistão, marcou um raro contato direto entre os dois países e evidenciou tanto avanços quanto divergências profundas.

Mesmo diante das divergências, o Paquistão segue atuando como intermediador, mantendo a troca de mensagens entre Washington e Teerã. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que os esforços continuam: “Quero dizer que um esforço completo ainda está em andamento para resolver as questões.”

Analistas apontam que ambos os lados têm incentivos para evitar uma escalada. Nos Estados Unidos, os ataques ao Irã enfrentam resistência interna e podem impactar o cenário político antes das eleições legislativas. Já o Irã enfrenta dificuldades econômicas agravadas pelo conflito, além de tensões internas recentes.

Embora o encontro em Islamabad não tenha produzido um acordo imediato, ele abriu caminho para a continuidade das negociações, sinalizando que, apesar das tensões, ainda há espaço para avanços diplomáticos.

Segundo a agência Reuters, que ouviu 11 fontes com conhecimento das negociações, o encontro foi o mais significativo entre os dois lados em décadas e o primeiro contato direto em mais de dez anos, ocorrendo poucos dias após o anúncio de um cessar-fogo que interrompeu semanas de conflito.

Realizadas no Hotel Serena, em Islamabad, as conversas se estenderam por mais de 20 horas e ocorreram em ambientes separados para cada delegação, além de uma área comum para reuniões com mediadores paquistaneses. Participaram das discussões o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.

Apesar da ausência de um avanço concreto, fontes indicaram que as negociações chegaram perto de um entendimento. Um dos participantes afirmou que as partes estavam “muito próximas” de um acordo, alcançando cerca de “80%” de progresso antes de esbarrarem em questões críticas que não puderam ser resolvidas no momento.

Entre os principais pontos de impasse estão o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o fornecimento global de energia — e o alívio de sanções internacionais. Enquanto Washington insiste que o Irã nunca poderá desenvolver armas nucleares, Teerã exige garantias de cessar-fogo permanente, fim das sanções e reconhecimento do direito de enriquecer urânio.

A atmosfera das negociações foi descrita como tensa e, em alguns momentos, hostil. Ainda assim, houve períodos de distensão ao longo da madrugada, com sinais de possível extensão das conversas. “Houve altos e baixos. Houve momentos tensos. Pessoas saíram da sala e depois voltaram”, relatou uma fonte de segurança envolvida no processo.

Durante uma das discussões mais delicadas, o chanceler iraniano questionou a confiabilidade dos Estados Unidos, afirmando: “Como podemos confiar em vocês quando, na última reunião em Genebra, disseram que os EUA não atacariam enquanto a diplomacia estivesse em andamento?” A declaração reflete a desconfiança de Teerã após ataques ocorridos pouco após uma rodada anterior de negociações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que o Irã teria sinalizado interesse em um acordo, dizendo que os iranianos “ligaram esta manhã” e que “gostariam de fechar um acordo”. A informação, no entanto, não foi confirmada de forma independente.

A Casa Branca reiterou que a posição americana permanece inalterada. A porta-voz Olivia Wales declarou: “O Irã nunca poderá ter uma arma nuclear, e a equipe de negociação do presidente Trump manteve essa linha vermelha e muitas outras. O engajamento continua em direção a um acordo.”

Do lado iraniano, fontes indicam que as exigências incluem não apenas o fim das sanções, mas também o desbloqueio de ativos congelados e garantias de que não haverá novos ataques contra o país ou seus aliados regionais.

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