EUA enviam caças à Groenlândia para fazer exercícios da Otan
O governo dos EUA optou pela iniciativa enquanto o presidente Donald Trump faz constantes ameaças ao território
247 - As Forças Armadas dos Estados Unidos enviarão caças à Groenlândia, conforme anunciou o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad). Os militares do governo Donald Trump devem optar por modelos avançados F-35, para a base estadunidense que fica no norte da ilha ártica. A informação foi publicada nesta terça-feira (20) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Enquanto o presidente dos EUA faz constantes ameaças, países europeus aliados de Washington na Otan enviaram soldados e equipamento militar para um exercício organizado na última hora. A Organização do Tratado do Atlântico Norte tem como integrantes os Estados Unidos, o Canadá e vários países da Europa, mas que não necessariamente precisam estar juntos no sentido de fechar uma mesma posição sobre um tema.
Ainda de acordo com a Folha, o Norad afirmou que a operação na Groenlândia é rotineira e está sendo feita em colaboração com as forças dinamarquesas. O governo da Groenlândia também foi avisado, acrescentou a gestão do presidente dos EUA. Não foram divulgados números de caças e pessoal envolvidos na missão.
Países europeus enviaram pequenos contingentes à Groenlândia desde a semana passada: Alemanha, França, Suécia, Noruega, Holanda, Finlândia e Reino Unido se uniram à Dinamarca, que tem o maior efetivo, de cerca de 120 militares.
A Groenlândia e o cenário internacional
Com uma população estimada em cerca de 56 mil pessoas, a Groenlândia possui ampla riqueza em recursos naturais, incluindo variados metais e reservas de petróleo e gás. Localizado em posição geopolítica estratégica entre os Estados Unidos e a Rússia, o território abriga hidrocarbonetos utilizados na produção de combustíveis, além de ouro e urânio, empregados tanto na geração de energia nuclear quanto na fabricação de armas atômicas.
Apesar desse potencial, comunidades indígenas e setores da administração local mantêm resistência firme à exploração de petróleo e gás natural, motivados sobretudo por preocupações ambientais.
Os novos movimentos de Trump causam preocupação principalmente pelo contexto atual, em que os EUA atacam a Venezuela, sequestraram Nicolás Maduro, e fazem ataques a embarcações em áreas próximas da América do Sul.
O governo trumpista também ameaça o Irã, em mais um ato de uma política externa estadunidense orientada pelo unilateralismo dos EUA que, por décadas, foi o eixo econômico central da política global junto com a Europa.
Atualmente, o multilateralismo, protagonizado por países como China, pelo BRICS e pelo Sul Global, ameaça a hegemonia dos EUA, que encontra dificuldade em ter respaldo dos principais organismos internacionais para uma política externa que fere a soberania dos outros países.


