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EUA veem baixa chance de derrubar o governo iraniano após assassinato de Khamenei

Avaliações de inteligência lançam dúvidas sobre queda do governo iraniano

Khamenei e Trump (Foto: Reuters)

247 - O assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em meio a uma guerra coordenada Estados Unidos e Israel, abriu um cenário de incertezas em Washington sobre os rumos políticos de Teerã. Apesar de declarações públicas defendendo que os iranianos “retomem” o controle do país, autoridades americanas avaliam que a derrubada do atual sistema político no curto prazo é improvável.

Segundo reportagem da Reuters, há forte ceticismo dentro do governo norte-americano quanto à capacidade da oposição iraniana de provocar a derrubada do governo após mais de quatro décadas de poder do sistema instaurado com a revolução de 1979.

Antes e depois do início da nova guerra contra o Irã, integrantes do governo dos Estados Unidos, incluindo o presidente Donald Trump, indicaram que a ofensiva tinha múltiplos objetivos, entre eles enfraquecer os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã e, potencialmente, estimular a queda do atual sistema de governo. Em mensagem publicada no domingo na rede Truth Social, Trump declarou: “Apelo a todos os patriotas iranianos que anseiam pela liberdade para que aproveitem este momento... e retomem o controle do seu país”.

Apesar do discurso público, três autoridades americanas ouvidas pela Reuters afirmaram que avaliações de inteligência colocam em dúvida a viabilidade de uma mudança imediata no comando político iraniano. Nenhuma das fontes descartou completamente essa possibilidade, especialmente diante das perdas sofridas pela estrutura estatal iraniana após sucessivas ondas de ataques aéreos, mas consideram a hipótese distante no curto prazo.

De acordo com a reportagem, análises da Agência Central de Inteligência (CIA) apresentadas à Casa Branca nas semanas anteriores ao desencadeamento dos bombardeios indicavam que, caso Khamenei fosse assassinado, ele poderia ser substituído por figuras igualmente alinhadas à sua própria linha de condução do poder, seja da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ou do clero. Uma autoridade com conhecimento das deliberações internas da Casa Branca afirmou que integrantes da IRGC dificilmente capitulariam voluntariamente. 

As avaliações da CIA teriam sido reforçadas por relatório de outra agência de inteligência dos Estados Unidos, que apontou não ter havido deserções na IRGC durante os protestos ocorridos em janeiro. Segundo três fontes adicionais citadas pela Reuters, eventuais deserções seriam condição essencial para o sucesso de qualquer tentativa de sublevação. 

O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou no domingo que pretende reabrir canais de comunicação com o Irã, gesto interpretado por autoridades como indicativo de que Washington não espera uma mudança imediata no governo de Teerã. A Casa Branca não comentou oficialmente o conteúdo das avaliações, enquanto a CIA se recusou a se manifestar.

No Irã, o presidente Masoud Pezeshkian anunciou que um conselho de liderança composto por ele, pelo chefe do Judiciário e por um integrante do Conselho dos Guardiões assumiu temporariamente as funções do líder supremo. Já o chefe de segurança Ali Larijani acusou Estados Unidos e Israel de tentarem saquear e desintegrar o país e advertiu que “grupos separatistas” enfrentariam resposta severa caso adotassem qualquer iniciativa. 

O debate interno nos Estados Unidos não se limita à sucessão no comando político iraniano. Duas autoridades disseram à Reuters que, desde janeiro, há discussões intensas sobre até que ponto o assassinato de Khamenei poderia alterar significativamente a postura do Irã nas negociações com Washington sobre o programa nuclear. Também há divergências quanto à possibilidade de que a saída do líder supremo desestimule a reconstrução de instalações nucleares ou de capacidades de mísseis.

Após os protestos de janeiro, Steve Witkoff, enviado especial de Trump, manteve conversas com Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e figura da oposição no exílio. Segundo duas autoridades, esses contatos levantaram questionamentos sobre o grau de apoio que a administração americana poderia oferecer a ele em caso de colapso do governo iraniano. Nas últimas semanas, contudo, autoridades de alto escalão teriam demonstrado crescente pessimismo quanto à viabilidade de qualquer figura apoiada por Washington assumir controle efetivo do país.

Para Jonathan Panikoff, ex-alto funcionário de inteligência dos Estados Unidos e atualmente vinculado ao Atlantic Council, o desfecho dependerá essencialmente da postura das forças de segurança iranianas. “Em última instância, quando os ataques dos Estados Unidos e de Israel cessarem, se o povo iraniano sair às ruas, o sucesso em promover o fim do regime dependerá de que as bases das forças de segurança se mantenham à margem ou se alinhem a eles”, afirmou.

Ele acrescentou: “Caso contrário, os remanescentes do regime, aqueles que têm as armas, provavelmente as utilizarão para manter o poder”.

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