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Ex-generais turcos avaliam que Irã tem vantagem contra EUA em possível escalada militar

Demonstração de força de Donald Trump apresenta fragilidades, segundo os especialistas militares turcos

Teerã (Foto: Captura de tela/Reprodução)

247 - As ameaças dos Estados Unidos contra o Irã se intensificaram de forma significativa na última semana, elevando as tensões no Oriente Médio. No entanto, especialistas militares da Turquia avaliam que, em um eventual confronto direto, o equilíbrio estratégico tende a favorecer Teerã. A análise foi apresentada por oficiais aposentados das Forças Armadas turcas em entrevistas concedidas à emissora teleSUR, em reportagem do correspondente Yunus Soner, em Istambul.

Segundo os analistas, Washington reforçou sua presença militar na região com o deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, acompanhado por destróieres. Ainda assim, essa demonstração de força apresenta fragilidades. Para o almirante aposentado Cem Gürdeniz, ex-integrante das Forças Navais da Turquia e especialista em geopolítica, a atual configuração militar dos EUA é limitada.

“A marinha estadunidense se concentra no mar Arábigo. Não têm um grupo de porta-aviões no Mediterrâneo, diferentemente do confronto anterior. Essa presença no Mediterrâneo serviu para combater pelo ar os mísseis com que o Irã atacou Israel”, afirmou Gürdeniz.

O almirante também apontou falhas de planejamento por parte de Washington, relacionadas a tentativas de pressão indireta sobre Teerã. “O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, advertiu que começaram uma operação contra a moeda nacional iraniana para provocar protestos. Quando esses protestos ocorreram, esperava-se uma operação militar, que não aconteceu. Cometeram um erro de planejamento aí”, disse.

Na avaliação do general aposentado Fahri Erenel, professor da Universidade de Istinye, o risco de ataques pontuais contra alvos estratégicos permanece. Ele observou que a Força Aérea dos Estados Unidos deslocou caças adicionais e realizou exercícios aéreos de vários dias em diferentes pontos da região, mas ressaltou que o Irã está preparado para responder.

“Desde a Revolução de 1979, o Irã desenvolveu estruturas paralelas para todas as instituições. Começaram com o Exército, no qual existem as Forças Armadas de um lado e a Guarda Revolucionária de outro, ambas instituições constitucionais”, explicou Erenel.

Para o general, o confronto já se manifesta em outras frentes além do campo militar tradicional. “De certa forma, a guerra já começou. Os Estados Unidos de Elon Musk sofreram uma derrota importante, com o Irã impedindo as atividades do Starlink e mantendo o controle sobre a internet. Penso que o Irã conseguiu isso em cooperação com Rússia e China”, afirmou.

Ao avaliar o cenário de uma escalada mais ampla, Cem Gürdeniz destacou a experiência militar iraniana. “O Irã é um país acostumado à guerra, em combate desde 1980, um país de segurança. Além disso, se ativar seu arsenal subterrâneo e incluir alvos navais em sua ofensiva, seu adversário terá muitas perdas. É preciso lembrar que os Houthis, que nem sequer têm uma força armada, derrubaram dois aviões estadunidenses e forçaram um porta-aviões dos EUA a se retirar”, declarou.

Erenel acrescentou que um dos principais trunfos iranianos seria o uso de mísseis de cruzeiro. “A reação mais importante que o Irã pode dar é usar seus mísseis de cruzeiro, que não utilizou na última guerra de 12 dias. Há relatos de que têm alcance de mil quilômetros. Foram testados no Golfo e voam sem serem detectados por radar. O Irã tem a quantidade necessária, e eles podem representar uma grande ameaça para os porta-aviões”, afirmou.

O contexto regional também impõe limites à atuação de Washington. Diversos países do Golfo anunciaram que não permitirão o uso de seu espaço aéreo ou de bases militares para um ataque contra o Irã. Enquanto seguem os encontros entre delegações dos Estados Unidos e do Irã em Omã, a avaliação de especialistas militares é de que, em uma escalada sem limites, o balanço militar não se mostra favorável aos Estados Unidos.

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